Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 09/11/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã garante a todos os brasileiros o direito ao acesso à educação de qualidade. No entanto, a expansão do ensino superior a distância inviabiliza essa premissa, devido as consequências do distanciamento do ambiente escolar juntamente com o desigual acesso aos meios tecnológicos.
Primordialmente, é imperioso salientar a importância do contato entre instituição de ensino e indivíduo para a experiência pessoal e profissional. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a escola tradicional sujeita o estudantes a maneiras de socialização distintas das adquiridas na fase de crescimento. Sendo assim, é imprescindível o contato entre universitários para o desenvolvimento de qualidade mútuo baseado em práticas de experimentação coletivas.
Faz-se mister, ainda, ressaltar as diferenças socioeconômicas como dificultador da democratização do ensino a distância. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), cerca de 49,5 milhões de brasileiros não possuem acesso a internet. Nesse sentido, parte dos candidatos à educação virtual encontram desafios para a integração nessa modalidade de instrução. Inquestionavelmente, os alunos de baixa renda tornam-se excluídos do acesso ao ensino de forma efetiva.
Infere-se, portanto, que a modalidade de ensino a distância integral prejudica o desenvolvimento dos futuros profissionais. Por consequência o Ministério da Educação precisa sancionar uma lei de regulamentação das faculdades a distância, por meio de emenda constitucional. Tal lei precisa garantir aos universitários 50% de aulas do curso presencial, por meio de contato direto entre professores e alunos, com o objetivo de facilitar a troca de experiências da área profissional. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com o Governo Federal necessita disponibilizar internet e computadores em bibliotecas públicas para estudantes de baixa renda, por meio de impostos federativos.