Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 11/11/2020
A transposição de distâncias físicas com o advento das telecomunicações trouxe consigo grandes mudanças. A vista disso, as cartas, rádio, TV e mais recentemente a internet, mostram a necessidade de enfrentar barreiras para o exercício de interações. Nessa lógica, em contexto educacional, está o de-bate sobre os questionamentos quanto a qualidade do Ensino a Distância (EAD), principalmente no setor superior do Brasil. Nessa conjuntura, o detrimento entre precariedade e democratização desse método se baseia seja na má dinâmica instrutiva -defasada e enfadonha-, seja na falta de preparo ético, comportamental ou comprometido do aluno quanto a essa didática virtual.
previamente, aulas “on-line” mecanizadas e conteudistas lesam o foco e atenção dos discentes que, por consequência, dificulta a absorção de saberes. Para mais, de fato, de acordo com o livro “Cibercul-tura” de Pierry Lévy, é primordial, na contemporaneidade, o bom uso da tecnologia na descentralização de conhecimentos. Não obstante, uma vez que essas ferramentas são utilizadas de forma errônea, sem
meios coesos e bem alicerçados para promoção da EAD, esse compartilhamento que Lévy defende se torna falho. Ainda, as condições obrigatórias para funcionamento de cursos via internet, exigidas pelo Ministério da Educação, não garantem uma qualidade efetiva do ofertado e do aprendizado das turmas.
Em segunda análise, a população brasileira necessita de uma adaptação coerente ao sistema educativo remoto. Assim sendo, vários fatores até então intrínsecos à sociedade corroboram para inefi-ciência de graduações, licenciaturas ou bacharelados via EAD. A título de exemplo, podem variar desde
o evidente “jeitinho brasileiro” de burlar o sistema avaliativo com “colas” -que é facilitado pela falta de monitoramento-, até a ausência de organização. Àquele, assim como os personagens da obra “memóri-as de um sargento de milícias, evidência os desvios éticos e morais para benefício próprio ao quebrar certas regras. Já esse, é baseado na liquidez e imediatismo, trabalhado por Bauman, em uma socieda-de globalizada, concorrencial e sem preparo na administração das tarefas cotidianas.
Logo, fica claro que é fundamental a adesão do Ensino a Distância no estrato superior, todavia, é im-
preterível uma regulamentação eficaz e preparo social para incorporação dessas mudanças. Para isso, os órgãos do Estado, responsáveis pela educação e desenvolvimento, devem inserir nas bases educa-cionais aulas que incitem o desenvolvimento ético e moral, por meio de feiras e gincanas. Ademais, pri-cipalmente, devem regulamentar as aulas EAD de modo a torná-la eficaz. Essa ação, por meio de avaliações com banco de questão diversificado, formulado pelos próprios alunos e revisado por professores e, além do mais, um logaritmo que identifique plágio, auxiliará na qualidade. Nessa sequên-cia, somado a uma dinâmica interativa de ensino, atingirá o fito de uma real democratização do saber.