Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 09/11/2020
A internet, criada durante a Segunda Guerra Mundial, está em constante evolução e moderniza diversos setores sociais. Dessa maneira, o advento da rede alterou, por exemplo, paradigmas educacionais ao facilitar o ensino superior a distância. No Brasil, a classe econômica dos alunos dessa modalidade de ensino e a dificuldade no estabelecimento de diálogo em virtude do distanciamento entre professores e estudantes são entraves a serem derrubados urgentemente.
Em primeiro lugar, é essencial considerar que a situação financeira de alunos que estudam remotamente afeta a qualidade do ensino ofertado pelas instituições. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 50% dos indivíduos que optam pelo aprendizado virtual pertencem às classes C e D. Logo, observa-se que essas pessoas, em função dos escassos recursos pecuniários, terão dificuldades em adquirir ferramentas que aprimorem a formação acadêmica, como livros e aparelhos digitais. Dessa maneira, é evidente que a eficácia das graduações a distância diminuem, uma vez que o aluno- distante do apoio dos centros de ensino- não consegue otimizar os saberes a ele transmitidos.
Ademais, é válido ressaltar que a ausência de proximidade física entre as faculdades e os discentes pode prejudicar a qualidade do ensino remoto. Segundo o filósofo Jürgen Habermas afirmava, o diálogo amplo e aberto é o caminho mais seguro na construção do conhecimento. Nesse sentido, entende-se que o ensino a distância pode dificultar o processo de aquisição do conhecimento, já que os universitários não compartilham o mesmo espaço que os professores e até mesmo as aulas- geralmente gravadas com antecedência- raramente permitem contato em tempo real com os docentes.
Portanto, é vital encontrar soluções para mitigar essa mazela que retarda o desenvolvimento intelectual brasileiro. Em primeira instância, o Congresso Nacional- constituído pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados- deve elaborar, por meio da utilização da porcentagem do Produto Interno Bruto destinada à educação, uma bolsa estudantil que facilite a aquisição de materiais que auxiliem os estudos de alunos das classes menos favorecidas. Também é essencial que o mesmo órgão discuta com as universidades remotas a existência de cronogramas curriculares que combinem aulas virtuais e presenciais. Essas medidas teriam a finalidade de garantir a qualidade do ensino à distância e permitiriam, por sua vez, que os universitários brasileiros desfrutassem das benesses proporcionadas pela internet.