Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/11/2020

Diferente do que foi do século XVIII até o final do XX, quando a modalidade presencial era a única opção possível de se cursar uma faculdade, a educação a distância (EaD) já é um fato. Entretanto, esse atual sistema tem gerado questionamentos sobre a sua funcionalidade no Brasil, pois ele apresenta alguns desafios que impactam diretamente na qualidade do processo de aprendizagem dos alunos, como a falta de democratização do acesso à internet e a falta de socialização com o ambiente acadêmico.

Em primeiro plano, vale ressaltar que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), boa parte da população não possui um serviço de banda larga de qualidade, pois custa caro. Ou seja, o acesso a uma boa internet não é algo democrático no país e isso acarreta diretamente ao mau aproveitamento das aulas. Vários alunos relatam dificuldades ao acessar às plataformas digitais das universidades, o que acaba por diminuir o tempo deles de estudo e, consequentemente, eles absorvem menos conteúdo. Essa realidade é ainda mais árdua para aqueles que ingressam na faculdade após uma certa idade, uma vez que, além do desafio citado anteriormente, eles basicamente não possuem familiaridade com as novas tecnologias.

Outro aspecto a ser considerado é a pouca interação dos alunos da modalidade EaD com o espaço universitário e as suas possibilidades. Pode-se constatar que, nesse tipo de aprendizado, o/a discente se relaciona pouco com a biblioteca ou grupos de pesquisas, até mesmo com os próprios professores e colegas. Isso vai de encontro à fala do importante sociólogo, antropólogo e filósofo francês Émile Durkheim, ele diz que a socialização é um processo fundamental no desenvolvimento da aprendizagem. Uma vez que esse contato é reduzido, as trocas de experiências e conhecimento também são.

Em virtudes dos fatos mencionados, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educação (MEC), criar políticas públicas com o fito de tornar a internet uma ferramenta de qualidade e pública, amplamente acessível à população. Outra possibilidade é a ampliação do auxílio internet, que foi oferecido aos alunos das universidades públicas em época de pandemia, ele consiste em uma ajuda financeira para o aluno contratar uma empresa privada que preste o determinado serviço. Além disso, as auditorias realizadas pelo MEC nas universidades privadas devem ser reforçadas, o que vai assegurar que todas as exigências educacionais  sejam cumpridas pelas instituições de ensino. Só assim será possível conseguir uma isonomia e qualidade na educação a distância no Brasil.