Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Consoante ao escritor grego Esopo “Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”. Entretanto, na contemporaneidade, professores e alunos encontram grandes desafios para lidar com a realidade de ensino a distância, cuja causa relaciona-se com a falta de infraestrutura e a desqualificação dos docentes que ministram as aulas.

Nesse contexto, é válido pontuar que a Constituição Federal de 1988, assegura direito à educação qualitativa a todos os cidadãos. Todavia, essa prorrogativa faz-se pouco efetiva uma vez que, a carência de equipamentos socioeducativos modernos prejudica diretamente o ensino não presencial, especialmente os grupos sociais menos favorecidos. Segundo um levantamento feito pela União dos Dirigentes Municipais da Educação, 8 milhões de estudantes estão desconectados. Da mesma forma, as ferramentas cedidas pelo Estado não suprem a necessidade de ensino e acabam por prejudicar o desempenho dos alunos do ensino a distância, segundo pesquisa do Ministério da Educação (MEC) após a conclusão da faculdade, o desempenho dos estudantes de EAD é inferior aos cursos presencias, somente 25% obtiveram pontuação superior a 50 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Inep).

Do mesmo modo, é preciso destacar que muitos educadores não possuem a preparação adequada para dirigir aulas a distância, assim não ocorre a transmissão de conhecimento e, por conseguinte, prejudica o futuro de muitos jovens brasileiros conforme as palavras do filósofo estoico Sêneca: “a educação exige os maiores, pois influi sobre toda a vida”. Além disso, é cabível afirmar que essa situação de má qualidade educacional acontece devido a razão estrutural que é o Fato Social. Parafraseando Émile Durkheim “ O Fato Social é a maneira de agir e pensar, dotada de coletividade e coercitividade”. Em virtude da inexistente capacitação dos profissionais, e a pouca valorização governamental com EAD, esse sistema de ensino se torna ineficaz.

Portanto, buscando reverter esse panorama de dificuldades para os discentes, o Ministério da Educação deve promover a construção de postos de internet em áreas carentes para favorecer a minoria que não possui acesso à mesma. Outrossim, o Ministério da Educação aliado ao Conselho Nacional da Educação, deve exigir relatórios mensais sobre o desempenho do ensino do EAD para todas as universidades no Brasil, e providenciar a capacitação de profissionais para ensino não presencias por meio de cursos com especialistas, tais como pedagogos e técnicos em tecnologia. Dessa forma, aqueles que ensinam poderão aprender, e os que precisam ser ensinados receberão o ensino.