Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/11/2020

O sociólogo Martin Heidegger alertou, em 1950, que os computadores tornar-se-iam cada vez mais prevalentes nas relações que permeiam o tecido social. De fato, verifica-se a efusão de tal previsão em diversas áreas do conhecimento humano, como, por exemplo, na educação, mediante ensino superior a distância. Desse modo, ao analisar a qualidade dessa modalidade educacional, nota-se não só a falta da relação horizontal entre o professor e o aluno, mas também a não efetivação da constituição, como questões que atrapalham o ensino em debate e, portanto, precisam ser solucionadas.

A priori, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, os profissionais formados pelo ensino a distância, de acordo com o ENADE, possuem, majoritariamente, um rendimento abaixo da média e, por isso, pode-se afirmar que tais instituições acabam não dialogando com as ideias frerianas. Essa situação explica-se pois a ausência do professor, de forma presencial, mitiga a tomada de consciência do estudante, dado que a relação horizontal ‘‘professor-aluno-professor’’, segundo Freire, é essencial para o desenvolvimento pleno do conhecimento, ocasionado, sobretudo, pelo estímulo dialético. Dessa maneira, visualiza-se a necessidade do docente como agente de promoção de qualidade no ensino.

Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado fomentar um sistema educacional eficiente a todos. Entretanto, percebe-se um outra realidade: a falta de políticas públicas, com o fito de dirimir questões que venham a atenuar a qualidade do ensino a distância, seja pela falta de agendas parlamentares para solucionar tal emblema, seja pela fiscalização míngua das instituições que proporcionam tal serviço. Nessa lógica, a contradição supracitada ecoa o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que a sociedade, apesar de ser avançada teoricamente, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, observa-se a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna.

Logo, infere-se que a qualidade do ensino superior a distância é um assunto relevante e carece de solução. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize uma reforma educacional, por meio de debates com o Ministério da Educação, a fim de que haja uma relação mais ostensiva entre o corpo docente e discente. Posto isto, é imperioso que tal ação interventiva, para que seja efetivada, foque nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs, aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias, por intermédio de depoimentos de cientistas sociais, que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar a Constituição. Dessa forma, obter-se-ão relações sociais permeadas pelos computadores, como propôs Heidegger, de forma mais harmônica.