Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/11/2020

No Brasil hodierno, uma das modalidades mais acessíveis da educação, é o ensino a distância, chamado EAD, que ocorre por meio das diversas mídias, permitindo maior flexibilização do ensino. Nesse âmbito, em relação a qualidade do ensino superior a distância no Brasil, é possível perceber pensamentos divergentes , contrapondo seus benefícios e prejuízos. Sendo assim, torna-se pertinente o debate quanto à viabilidade desse tipo educacional.

Em princípio, cabe analisar o papel do ensino superior a distância na acessibilidade da educação sob a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman. Segundo o autor, a modernidade é regida pela liquidez - fragilidade e volatilidade - das relações entre pessoas e instituições, o que resulta em mudanças constantes nas diversas esferas sociais. Nesse contexto, surge o ensino a distância, fruto dessa liquidez aludida por Bauman - visto que torna a interação entre estudante e instituição de ensino mais frágil e impessoal - porém, traz benefícios, como a possibilidade do aluno assistir aulas quando e onde estiver, permitindo maior flexibilização da carga horária e maior acessibilidade ao ensino superior. Logo, torna-se evidente que o EAD, apesar de ser um produto da modernidade maleável prevista pelo sociólogo, pode representar uma alternativa benéfica àqueles que não encontram tempo para ir a uma universidade.

Por outro lado, é preciso compreender que o EAD pode ser prejudicial a qualidade do ensino, a medida que o aluno não encontra-se num ambiente propício a aprendizagem. De acordo com pesquisa do Todos pela Educação, o desempenho de alunos do tipo não-presencial, no geral, é menor que o tipo presencial. Tal realidade ocorre porque os indivíduos encontram nas escolas e universidades um local voltado completamente para o conhecimento, que conta com bibliotecas, salas silenciosas para estudo, além da presença física do professor, o que possibilita uma interação mais sólida com o aluno. Em contrapartida, no ensino a distância, o estudante muitas vezes não encontra um ambiente com condições similares às supracitadas, estando sujeito a distrações de todos os tipos, o que acaba prejudicando sua instrução.

Assim, faz-se necessária a atuação conjunta do Ministério da Educação e da mídia, na educação da população - especialmente dos jovens, público que mais se utiliza do EAD - visando melhorar a qualidade do ensino a distância. Isso poderá ser feito por meio de propagandas em forma de vídeos, desenvolvidas pelo MEC, e instituídas nos veículos de aulas online, orientando sobre a disciplina e o ambiente propícios à aprendizagem. Ademais, cabe ao governo fiscalizar a qualidade das aulas online e realizar testes com as instituições, de modo a garantir uma educação boa para todos.