Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Em 2002, as primeiras credenciais foram dadas pelo Ministério da Educação para universidades atuarem com o ensino a distância. Entretanto, só recentemente essa nova modalidade tem sido amplamente procurada pelos brasileiros que querem uma graduação de ensino superior, pois o acesso aos meios tecnológicos aumentou abundantemente. Devido a isso, questionamentos que envolvem a qualidade desse tipo de ensino estão em pauta e corroboram para a conclusão de que o EAD - em relação ao ensino presencial - tem formado profissionais menos capacitados.
Em primeiro plano, é válido o entendimento de que o gérmen da formação ineficiente está diretamente relacionado com a concepção de que instrução embrulhada em diploma é sinônimo de aprendizado. Porém, para Ivan Illich - autor do livro “Sociedade sem escolas” - aprendizado é a transformação de cada momento vivenciado por alguém. Acerca disso, é possível que o EAD seja mais qualificado, pois não é necessário que a graduação seja feita presencialmente, mas sim que seja estruturada de modo a priorizar o aprendizado - conciliando experiências com ciência e técnica.
Em segundo plano, quando se compara o ensino remoto com o presencial, percebe-se que o ato de frequentar uma instituição disponibiliza algo que a distância não é possível: relacionar-se com colegas e interagir pessoalmente com o professor. Essas interações influenciam no surgimento de uma perspectiva do estudo como uma atividade prazerosa, pois - de acordo com Aristóteles - o homem é um animal social e, por isso, nasceu para viver em sociedade.
Portanto, para que a formação em cursos EAD seja igualmente qualificante como a presencial, é imprescindível que o MEC exija das universidades que solicitarem a credencial - além dos documentos - uma abordagem que priorize o aprendizado caracterizado por Ivan Illich e algumas atividades esporádicas que sejam presenciais, para que os estudantes possam, ao menos raramente, dialogarem entre si. Isso pode ser feito por meio de um projeto de trabalho de conclusão de curso em grupo e que seja prático, pois - dessa forma - os momentos vividos poderão se transformar em aprendizado científico.