Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 15/11/2020

A  Constituição Federal de 1988, artigo 205, destaca a educação como direito de todos e dever do Estado e da família. Dessa forma, o ensino superior a distância inclui-se como uma maneira de aquisição desse direito. No entanto, a mercantilização da educação e as desigualdade sociais contribuem para afetar a qualidade da educação  a distância (EAD) no Brasil.

A priori, segundo o sociólogo Thomas Marshall, “exercer a cidadania é gozar plenamente dos direitos sociais, civis e políticos”. Contudo, o ato de ser cidadão é restringido no momento em que a educação é mercantilizada e vista como objeto de lucro. Nesse sentido, o ensino a distância oferece maior número de vagas do que a modalidade presencial e o número de professores contratados não cresce proporcionalmente, afetando o adequado acompanhamento dos estudantes. Nesse espectro, os docentes ficam sobrecarregados com correções de atividades e avaliações, comprometendo a qualidade do material disponibilizado e o suporte aos alunos matriculados. Logo, são necessárias ações que garantam a melhoria no apoio aos estudantes incluídos nessa modalidade de ensino.

Outrossim, o sistema educacional a distância tem a qualidade prejudicada devido às desigualdades sociais existentes no Brasil. Nessa lógica, muitos discentes ao ser inserido no ensino superior a distância ainda não dominam as ferramentas tecnológicas fundamentais para aprendizagem, o que deixa mais evidente a exclusão digital. Á vista disso, os alunos negligenciam os estudos, ficam desestimulados, acumulam conteúdos e apresentam dificuldade em aproveitar a tecnologia para aquisição de uma formação de excelência. Nessa conjuntura, o filósofo Émilie Durckeim aborda a educação como um mecanismo fundamental de inserção social, o que não ocorre quando perde-se a qualidade preconizada no meio educacional. Assim, é urgente a promoção de um ensino a distância capaz de contribuir com a evolução social dos discentes nela envolvidos.

Sob esse prisma, é imprescindível reformular o sistema de ensino a distância no país. Desse modo, o Ministério da Educação (MEC) e as instituições EAD devem ofertar uma disciplina obrigatória com tema “aprendizagem tecnológica”. Com isso, o componente deve ser acessado pelos estudantes no primeiro semestre do curso superior, para que sejam adquiridos os conhecimentos tecnológicos necessários para acompanhamento do curso digital. Ainda, o MEC deve fiscalizar o número de vagas ofertadas nos cursos, verificando a compatibilidade com a quantidade de professores contratados.  Nesse interim, será possível alcançar a transformação social abordada por Durckeim e garantir os direitos previstos em Constituição.