Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 11/11/2020

Após a eclosão da pandemia do coronavírus e sua consequente quarentena, as faculdades adotaram a Educação a Distância (EAD). Isso abriu o debate acerca da qualidade desse ensino. Nesse contexto, destacam-se a desigualdade tecnológica e a falta de interação social como problemas dele. Então, faz-se preciso discutir sobre tal realidade.

De início, ressalta-se a ausência de igualdade no Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2020, 6 milhões de estudantes não têm Internet em casa. Isso é alarmante, visto que a EAD, para seu bom funcionamento, exige a utilização de ótimos recursos tecnológicos, panorama que não se faz presente na vida de muitos brasileiros. Por conseguinte, os alunos, caso não desistam do ensino, submetem-se a usar equipamentos ruins e uma rede virtual de qualidade inferior, cenário que compromete o aprendizado.

Ademais, vale salientar a carência de interação social. Sobre esse viés, tem-se como base o filósofo Bauman, cujo pensamento alega que o meio digital favorece o individualismo e prejudica a habilidade de se relacionar com alguém pessoalmente. Logo, na questão da EAD, os estudantes ficam despreparados para lidar com a profissão na vida real, dado que esse tipo de educação precariza o contato humano ao priorizar a comunicação virtual. Como resultado, são formados profissionais com baixa capacidade de diálogo, panorama que impede o êxito de suas funções.

Portanto, nota-se que é necessário resolver os problemas mencionados. Para isso, a fim de garantir um ensinamento de qualidade a todos os cidadãos, cabe ao Ministério da Educação investir em melhorias na Educação a Distância, mediante a criação de um programa de auxílio financeiro que vise distribuir recursos tecnológicos à população carente, e por meio da implementação, nas aulas online, de momentos voltados a debates por chamada de vídeo, de modo a promover a interação social. Destarte, a EAD será uma ótima solução para épocas difíceis como a pandemia do coronavírus.