Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 11/11/2020
Os movimentos estudantis, ocorridos em maio de 1968, na França, reivindicavam, entre outros fatores, a qualificação do sistema educacional do país, haja vista que as escolas francesas eram caracterizadas por formar estudantes para o mercado de trabalho, de maneira a isentá-los de formação cultural. Fora da história, o Brasil, inserido no contexto da Terceira Revolução Industrial, sofre com as mudanças educacionais e o avanço do ensino superior a distância, o EAD. Entretanto, de maneira análoga à França de 1968, tal ensino se vê obstado pela negligência do Estado na concessão de um sistema de qualidade, a exemplo das precárias infraestruturas para o EAD que, por sua vez, acarretam altas taxas de evasões nas universidades e, portanto, mudanças são exigidas.
Em primeiro plano, é fulcral destacar o papel do Estado nessa modalidade de ensino e como sua negligência a impacta. De acordo com o filósofo John Locke, ‘‘o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem’’ e, por conseguinte, a qualificação da educação se torna um desses pontos. Sob essa ótica, mostra-se vigente a precariedade da infraestrutura na formação profissional dos universitários, principalmente no que tange ao ensino da rede pública, o qual já havia sido debilitado em função dos cortes de verbas realizados pelo Ministério da Educação no ano passado, fato que contribui para graves dificuldades no ensino brasileiro.
Ademais, é imprescindível pontuar as consequências da precarização dessa modalidade de ensino nas universidades. Segundo a Constituição de 1988, a educação é um direito social e é dever do governo fornecê-la com qualidade para a população, contudo, os índices de evasão nas universidades revelam as mazelas educacionais do país. Sob esse prisma, o site de notícias UOL apresenta dados que apontam que, no primeiro semestre de 2020, 608 mil alunos de universidades particulares desistiram ou trancaram matrícula, fato que corrobora a fragilidade do ensino superior a distância no Brasil e, consequentemente, exige-se a ação governamental para o reparo desses danos.
Destarte, é mister que o Estado tome providências em relação às mazelas do EAD. Para isso, urge que o Ministério da Educação, o MEC, crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de auxílio às universidades públicas e privadas e, não mais estabelecer os cortes de verbas, de modo a conter a evasão escolar e formar profissionais competentes. Outrossim, tal projeto deve conter especificidades para atender às demandas de todas as instituições, no que diz respeito à concessão de aporte para a realização do EAD, bem como a democratização do acesso aos computadores e demais dispositivos necessários à modalidade. Só assim, ter-se-á maior qualificação do EAD no Brasil e, assim, permitir ao país um distanciamento da realidade francesa em maio de 1968.