Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 12/11/2020
A sociedade brasileira vive um paradoxo: os interesses individuais se sobrepõem aos anseios coletivos. Em um cenário assim, é de se salientar a necessidade de uma mudança na qualidade do ensino superior a distância (EAD), em que alguns estudantes perdem o foco durante as aulas, fazendo com que o objetivo do bom aprendizado seja rompido. Isso ocorre, em grande medida, porque as transformações ocorridas no âmbito educacional fomentam discussões exaltadas a cerca da falta de comprometimento de alguns alunos no EAD, bem como a respeito da facilidade do acesso à educação superior a distância.
É importante pontuar, de início, que a falta de comprometimento dos alunos interfere diretamente na qualidade do ensino a distância, uma vez que esses são avaliados constantemente em provas e futuramente na profissão optada. É válido analisar os dados de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) que evidencia que 75% dos estudantes que concluíram o curso a distância tiraram notas inferiores da 50 no ENADE, prova que mede o desempenho dos alunos. Nesse ponto, é notório que a distração, falta de administração do tempo de estudo e a dificuldade de interação entre professor e aluno, estabelece desqualificação para o estudante.
Paralelo a isso, é válido pontuar, ainda, que com a facilidade do acesso à educação superior a distância, muitos indivíduos conseguem se formar e exercer sua profissão, porém, nem sempre com qualidade. Nesse aspecto, o EAD exige maior atenção e comprometimento do aluno, visto que esse não será monitorado pelo professor. Diante dessa perspectiva, quando há junção de bons professores, boas plataformas e bons alunos que almejem a qualidade do ensino, o aprendizado garante a qualificação necessária e êxito no momento de exercer a profissão. Dessa forma, o EAD é importante para aqueles que buscam flexibilidade de horário, porém é preciso empenho por parte dos alunos.
Evidencia-se, portanto, que o ensino superior a distância constitui um avanço para a educação brasileira. Nesse sentido, é fundamental priorizar a qualidade do ensino a distância, sem deixar de lado as dificuldades enfrentadas para tal. Para isso acontecer, urge que o Ministério da Educação revise e mantenha atualizados os materiais didáticos dos alunos do EAD, de forma que esses tenham a qualidade necessária para manter-se concentrados e interessados pelo assunto a ser estudado. Além disso, é necessário que as Instituições de Ensino, desenvolvam, para os cursos online, monitorias gratuitas dinamizadas com intuito de que os alunos que tiverem dificuldades possam ter melhores desempenhos e sejam sanadas as dúvidas. Quem sabe assim, com essas aspirações, o Brasil possa ter um ensino a distância de extrema qualidade.