Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 15/11/2020

O ensino superior no Brasil vive um período de grandes mudanças. O avanço na popularização do acesso à internet proporcionou a oferta de um número exorbitante de cursos on-line de graduação e pós-graduação. No entanto, tal avanço tem apresentado problemas ora pelo descompromisso das instituições em proporcionar um ensino de qualidade, ora por fatores que envolvem os estudantes. Assim, urge analisar esses problemas, a fim de elencar medidas para atenuar tal cenário.

A priori, cabe destacar que, embora o acesso ao ensino superior tenha aumentado, cerca de 30% dos brasileiros estão inaptos para interpretar um texto ou analisar um gráfico, segundo o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF). Tais estatísticas, todavia, tendem a ser agravadas pelo ensino on-line, principalmente devido às brechas fiscalizatórias que deveriam acompanhar a qualidade do serviço ofertado. Nesse sentido, como a maioria dos cursos é oferecida por instituições privadas, tem-se observado falta de alinhamento pedagógico, equipes de apoio despreparadas, além de formato de ensino que não atendem às necessidades dos alunos - que contribuem para o aumento das estatísticas de analfabetismo funcional.

Ademais, vários outros fatores têm sido elencados como corresponsáveis para o péssimo desempenho dos estudantes de ensino à distância. Parafraseando o poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, diversas pedras apresentam-se na trajetória desses estudantes e exigem que eles superem inúmeras desigualdades, especialmente as sociais. É sabido, por exemplo, que essa modalidade de estudo exige deles autonomia e organização, base educacional sólida e ambiente de estudos adequado, com acesso à internet de qualidade e computador -  o que consistem, então, em obstáculos muitas vezes intransponíveis.

Considerando, então, os aspectos que comprometem o ensino superior à distância, fica evidente a necessidade de intervenção. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação revisar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a fim de adequá-la ao modelo pedagógico exigido para a modalidade de ensino on-line, assim como monitorizar o desempenho semestral dos estudantes e das instituições de ensino por meio de avaliações seriadas. Concomitante, torna-se importante exigir que as faculdades realizem treinamento dos calouros por meio de orientações sobre técnicas de estudos que possam contribuir para o melhor aproveitamento do curso. Ademais, deve-se estimular a rede bancária a financiar equipamentos de informática para alunos carentes e, com isso, atenuar parte dos obstáculos pessoais dessa parcela. Desse modo, o Brasil poderá se orgulhar de garantir uma educação com qualidade à todos os estudantes de ensino superior.