Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 16/11/2020
O livro “Cibercultura” relata como a ‘internet’ favorece novas formas de acesso à informação e as diversas metodologias de construção do conhecimento. Nessa lógica, é evidente a visibilidade do estudo virtual durante períodos de desenvolvimento tecnológico. De maneira análoga à história fictícia, a qualidade do ensino superior à distância no Brasil ainda enfrenta entraves no que concerne à carência de aulas práticas, como também à negligência das instituições perante a qualidade educacional remota.
Diante desse cenário, a falta de aulas práticas é vista como impulsionadora para um regresso do ensino à distância (EaD), uma vez que, os estudantes que não cumprirem treinamentos e estágios especializados na área escolhida não irão apresentar alto nível de experiência para atuar no meio. Ademais, o atual mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e exigente, assim, concedendo vagas de emprego para aqueles que apresentem maior prática e familiaridade no âmbito, o que gera um ambiente desfavorável para os alunos de cursos a distância, já que carecem de execuções práticas. Nessa seara, O Conselho Nacional de Educação (CNE) obriga que os cursos de licenciaturas ofereçam turnos de estágio presencial, o qual confirma, à vista disso, a importância de momentos de treinamento para o futuro profissional dos estudantes de ensino superior remoto.
Outrossim, a carência de investimento nas instituições remotas fundamenta as dificuldades encontradas nesse modo de ensino, posto que, alguns materiais didáticos utilizados nos cursos a distância são adaptações rudimentares dos materiais usados nas instruções presenciais, o que diminui a infraestrutura da faculdade. Corroborando essa ideia, o termo “fábrica de diplomas” -criado pelo escritor Felipe Pena- retrata um cenário no qual as escolas visam o maior número de estudantes sem direcionar investimentos na qualidade do ensino. Paralelo ao excerto, a negligência das organizações perante o EaD contribui para um cenário de regressão da metodologia, pois há, somente, uma busca por lucro, sem quaisquer investimentos na qualidade do ensino.
É necessário, portanto, que o Ministério da Educação (MEC), como responsável pelo bem-estar dos estudantes, forneça estágios obrigatórios aos alunos, a fim de promover uma maior experiência aos discentes, para que dessa forma, estejam aptos as exigências do mercado de trabalho. Compete também a Secretaria da Educação, promover questionários aos estudantes do EaD, com o fito de mediar a satisfação desses alunos ao grau de qualidade da instituição, bloqueando a atividade daquelas que apresentem insatisfações. Dessa maneira, os desafios envolvendo a qualidade do ensino superior à distância no Brasil decrescerão exponencialmente.