Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 02/12/2020
No ano de 2020, com a pandemia causada pelo Covid-19 e o consequente isolamento social, o ensino à distância (EAD), associado à tecnologia contemporânea, ganha absoluto protagonismo. Entretanto, embora o EAD seja algo positivo por ser uma modalidade mais acessível, ela retira significativamente a qualidade da formação do indivíduo. Com isso, deve-se analisar os motivos dessa má qualidade e as consequências dela a longo prazo.
Em primeiro lugar, evidencia-se a falta de regulamentação da modalidade em questão, primordialmente nas instituições privadas, como um dos motivos dessa baixa qualidade. Certamente, essa regulagem é necessária no sentido de fiscalizar a qualidade do EAD nas faculdades privadas - as quais menos se beneficiam com a modalidade, visto o baixo retorno financeiro - por meio de diretrizes que obriguem essas instituições à medirem e garantirem a eficácia no processo de aprendizagem. Sem isso, os indivíduos formados no ensino à distância se tornam profissionais desprovidos de habilidades práticas e até mesmo do conhecimento necessário para a profissão. Prova disso são as estatísticas do Exame Nacional do Desempenhos dos Estudantes que mostram que mais de 50% dos formados pelo EAD não atingem metade da nota máxima, demonstrando que o ensino à distância, quando mal fiscalizado, promove essa má qualidade.
Soma-se a isso o fato de a busca pela modalidade EAD ser predominante para cursos com licenciatura e como isso - associado à baixa qualidade citada - torna-se um problema a longo prazo. Segundo o Censo da Educação Superior, feito em 2019, mais de 50% dos interessados em cursos com licenciatura optaram pelo ensino remoto. Nessa perspectiva, cria-se uma bola de neve ao forma-se uma geração de docentes com pouca qualidade que passarão seus conhecimentos de forma pouco produtiva aos discentes. Com isso, o ensino a de se tornar defasado a longo prazo, demonstrando como é imprescindível a busca pela melhora do ensino à distância.
Conclui-se, portanto, que resoluções devem ser aplicadas. Decerto, cabe ao Conselho Nacional de Educação, em conjunto com o Ministério da Educação, criar uma regulamentação do ensino à distância, estipulando, por exemplo, atividades periódicas - além das provas - para avaliar constantemente o desempenho do aluno, de forma presencial. Tal feito deverá ser promovido por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular para o ensino superior, a fim de agregar mais valor ao EAD e aumentar a qualidade quanto às questões práticas. Dessa forma, o protagonismo do ensino à distância se dará com mais prestígio e segurança à educação.