Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 22/11/2020

O ensino a distância vem se consolidando nos últimos anos e embora o contexto de ascensão seja positivo para expandir as fronteiras educacionais, resultados do MEC revelam que alunos dessa modalidade desempenham menos. Portanto, é necessário discutir as causas desse fenômeno, a fim de aprimorar o sistema.

Em primeiro ponto, é importante conhecer o perfil do aluno de ead e suas dificuldades. O ensino a distância permite horários mais flexíveis e uma logística facilitada, o que faz com que seja a opção de pessoas com mais idade e que buscam conciliar estudos com o trabalho. Segundo dados da Associação Brasileira de Educação a Distância de 2019, 37% dos matriculados possuem de 31 a 40 anos. O fato é que as exigências da vida adulta, muitas vezes, podem impedir a plena inserção do graduando, o que explica o motivo de mais alunos que concluíram o ead desempenharem menos no Exame Nacional de Desempenho Humano.

Além disso, o distanciamento físico em si, também pode afetar ou impedir a trajetória do aluno. De acordo com o último Censo ead de 2018, um taxa de evasão atingiu 50% na modalidade a distância, enquanto na semi presencial era de 25%. A sensação de solidão é ainda mais presente no formato totalmente a distância, devido à barreira virtual de criar laços com colegas de classe e orientadores. Assim, deve ser papel das universidades encontrar maneiras de encurtar esse espaço.

Logo, é essencial que o Estado, bem como as empresas, facilitem a vida dos trabalhadores que fazem ead, por meio de políticas de redução de carga horária, para que seja possível se aprofundar efetivamente no curso. Também, é dever das Instituições adeptas do método a distância aproximar e prestar amparo aos alunos, através de consultas online com psicólogos, estimular conexões entre alunos e adotar a modalidade semi presencial, caso possibilidade. Tudo isso, a fim de igualar a qualidade de ensino, independente do meio.