Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Paulo Freire, educador brasileiro, argumenta que a educação deve ser dependente da prática que dialoga com a realidade, além de ter o papel de libertar o ser humano das opressões às quais ele está submetido, sendo um agente de transformação social. A despeito disso, já no século XXI, o ensino superior a distância ainda se mantém arcaico e submetido à fixação de conteúdo. Nesse sentido, as universidades deveriam cumprir o papel de serem agentes transformadores do ser humano, responsáveis pelo aprimoramento profissional e individual dos cidadãos. No entanto, apesar disso, elas não exercem sua função social em sua capacidade plena, visto que, não só o acesso às essas instituições não é universal nem igual, como também a educação não é inovadora.

De fato, a questão da ausência de universalidade e de equidade ao acesso ao ensino superior a distância é um fator que debilita a qualidade do ensino superior. Essa situação ocorre devido ao desigual acesso à tecnologia essencial para faculdade a distância, ainda que o direito à educação esteja garantido na Constituição brasileira de 1988. Assim, tal infortúnio pode ser explicado por Gilberto Dimenstein, escritor brasileiro, que defende que o povo dispõe de uma “Cidadania de papel”, ou seja, os direitos concedidos estão restritos ao documento. Assim, é possível depreender que, apesar de a Constituição Cidadã garantir o acesso às universidades, essa liberdade é desrespeitada.

Ademais, a questão de a educação não ser inovadora representa um empecilho para a efetivação do papel das universidades a distância na constituição de uma sociedade. Nesse sentido, aliado ao pensamento de Freire, Montaigne, filósofo francês, questionava o ensino por meio do esquema de memorização, o qual afastaria o aluno do conhecimento, e propunha que a educação deveria estar atrelada às experiências práticas. Sob esse viés, conclui-se que a educação deveria ser transformadora, além de promover o aprimoramento profissional e individual dos cidadãos, preparando-os para o convívio em sociedade.

Logo, o acesso desigual à tecnologia e o modelo de educação arcaico comprometem a qualidade do ensino superior a distância. Assim, o Ministério da Educação, cumprindo seu papel de zelar pela educação de qualidade, deve disponibilizar acesso a aparelhos tecnológicos para os alunos Ademais, tal medida deve ocorrer de modo que ocorra o redirecionamento de verbas para as universidades, possibilitando o aumento da democratização. Além dessa providência, o Ministério da Educação deve suprimir as técnicas de aprendizado arcaicas. Isso deve ocorrer a partir da reestruturação dos métodos de ensino ultrapassados que são utilizados. Essas medidas devem ser fomentadas com o intuito de possibilitar o acesso democrático e de qualidade ao ensino superior a distância no Brasil.