Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Logo que deferida, a lei n° 9394, de 1996, fez vigorar o EAD (Ensino a Distância) no Brasil. Atualmente, a modalidade cresce como nunca antes visto. Todavia, a qualidade do ensino superior nem tanto, o que torna a situação preocupante. Isso porque, muitos docentes estão despreparados para utilizar a ferramenta. Assim, a inserção do indivíduo formado nessa modalidade no mercado de trabalho, pode ser comprometida. Diante disso, cresce de importância um olhar crítico sobre o tema, a fim de anular a problemática.
Primeiramente, cabe pontuar que, a grade curricular comum de um curso de Pedagogia, em geral, não apresenta, ou não tem disciplinas com foco exclusivo a habilitar o docente a ministrar aulas por meio do EAD, quiçá os cursos superiores de outras áreas. Em consequência disso, naturalmente, 83% dos docentes se sentem nada, ou pouco preparados para ministrar aulas por intermédio do EAD, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Península. Logo, o despreparo oriundo da formação do docente reflete, sobretudo, no processo ensino-aprendizagem, comprometendo assim, a qualidade do ensino.
Em um segundo momento, apenas 2,4% dos cursos do EAD obtém nota máxima no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), ao passo que, na modalidade presencial, esse número sobe para 6,1%, conforme ENADE. Assim, a dificuldade do professor em ministrar aulas nessa ferramenta maximiza a possibilidade de o discente prorrogar o tempo de formação além do previsto, partindo da premissa de que o ensino terá qualidade baixa, pois o docente é despreparado. Ademais, índices como esses, fomentam o preconceito existente por parte de muitos empregadores em relação ao EAD. Com isso, a inserção no mercado de trabalho para o aluno do EAD torna-se dificultada em função dos dados fornecidos pelo ENADE. Com efeito, caso não haja inserção no mercado de trabalho, o problema pode alastrar-se e comprometer, também, às finanças do indivíduo e, quiçá, trazer dificuldades à sua família atreladas ao prejuízo financeiro em função do desemprego.
Destarte, a qualidade do ensino a distância precisa ser melhorada, a fim de que o discente não tenha dificuldades para ser inserido no mercado de trabalho e tenha saúde financeira, bem como estabilidade familiar. Para tal, o Ministério da Educação deve tornar os professores aptos a ministrar aulas que promovam efetividade no aprendizado por meio do EAD, por intermédio da inclusão de matérias voltadas, exclusivamente, ao aprendizado de como ministrar aulas por meio do EAD, na grade curricular do ensino superior. Com isso, a qualidade do ensino superior crescerá tal qual a adesão à modalidade e equiparar-se-á ao ensino presencial.