Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 25/11/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, iniciada na segunda metade do século XX, trouxe consigo inovações nos diversos âmbitos sociais, as quais facilitaram o cotidiano. Hodiernamente, o Brasil assiste a debates acerca do ensino à distância, haja vista os benefícios advindos dessa modalidade, dentre os quais se destacam a flexibilidade de horário e a democratização do acesso à educação superior. Não obstante, a qualidade do ensino à distância é comprometida devido às desigualdades socioeconômicas acentuadas e ao despreparo tecnológico dos profissionais da educação . Diante disso, tornam-se fulcrais políticas que visem à qualificação da modalidade de ensino em questão no Brasil.
Em princípio, entender o tema é não desconsiderar a Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB) sancionada ao final do século XX, a qual prioriza o investimento em tecnologia educacional. Nesse viés, por meio do Código, torna-se possível a implantação do Ensino Superior a Distância (EAD) no país, o qual se configura como importante ferramenta de acesso à universidade. Dentre as razões pelas quais o EAD configura-se como vantajoso, destaca-se a flexibilidade de horários, tendo em vista a disponibilização das aulas em plataforma virtual, que possibilita seu acesso em qualquer horário. Soma-se a isso o potencial democratizante do ensino remoto, haja vista seu valor mensal reduzido quando comparado ao ensino presencial, fator que viabiliza a formação de jovens de baixo poder aquisitivo.
Outrossim, de acordo com dados do CENSO de 2017, o número de alunos matriculados no EAD cresceu cerca de 7,2% desde o ano de 2016 no Brasil. Não obstante, a qualidade do ensino a distância é reduzida devido a diversos fatores, dentre os quais se destaca a questão da desigualdade socioeconômica no país, a qual priva considerável parcela da sociedade do acesso à internet. Tal entrave, somado à base educacional fraca ofertada pelas escolas públicas brasileiras, corrobora o baixo aproveitamento das aulas remotas. Importante citar, ainda, o parco conhecimento acerca do uso das tecnologias por professores, o qual acarreta a verticalização do ensino. A partir de tal constatação, ganha relevância o conceito de Capital Cultural, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, segundo o qual a restrição de determinados conhecimentos às classes dominantes acentua desigualdades preexistentes.
Diante desse cenário, medidas são necessárias a fim de atenuar o problema. Para tanto, as ONG devem pressionar o Ministério Público, por meio da criação de abaixo-assinados, para a implantação de redes de acesso à internet em todo o território brasileiro, com o fito de viabilizar a opção pelo EAD. Ademais, o Ministério da Educação deve propor a formação continuada de professores, a partir da disponibilização de materiais em plataformas digitais, associada à criação de fóruns de discussão, a fim de frear as consequência previstas por Bourdieu e, assim, assegurar a qualidade da educação no país.