Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 17/11/2020

Segundo o filósofo Platão, “A necessidade é a mãe da inovação. Nesse contexto, surgiu o ensino superior à distância, possibilitando conciliar o trabalho e a vida pessoal com os estudos, devido ao EAD proporcionar horários flexíveis de ensino. No entanto, a educação a distância enfrenta desafios relacionados à qualidade de ensino, majoritariamente, ocasionado pela ausência de preparação dos professores e também, em relação à instabilidade das relações entre os alunos e professores.

Nessa perspectiva, é preciso pontuar a ausência de preparação dos professores como um dos entraves. Conforme o documentário americano “Collaboration: On the Edge of a New Paradigm”, relata que o tempo necessário para adquirir novos conhecimentos e transferi-los, não acompanha o mesmo ritmo das mudanças, ocasionando atraso nos resultados. Dessa forma, constata-se que a busca pelo EAD ocasionou a baixa qualidade de ensino, uma vez que, devido à alta demanda de alunos, é necessário o aumento de professores na área, porém, grande parcela da sociedade utilizam a tecnologia apenas como entretenimento, necessitando de um tempo para a transição, adaptação e aprendizagem em relação à nova forma de ensino, para que assim estejam aptos a dar aulas à distância.

Além disso, destaca-se ainda a instabilidade das relações entre os alunos e professores. Consoante a teoria de modernidade liquida do filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, retrata a existência de uma nova época em que as relações sociais estão frágeis, fugazes e maleáveis assim como os líquidos. Dessa maneira, é notória a superficialidade das relações entre alunos e professores, ocasionada pelos meios tecnológicos, haja vista que se torna ausente o diálogo e a interação entre os alunos, tornando inexistentes laços de amizade, o que obtém como consequência o decaimento do ensino, devido o baixo contato entre o mentor e o aprendiz.

Portanto, percebe-se o declínio na qualidade de ensino à distância. Logo, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais, promover ensino tecnológico aos professores por intermédio de cursos que ensinem a utilizar novas plataformas de ensino por meio de aparelhos eletrônicos, com o intuito de reduzir o tempo de transição e adaptação para que estejam aptos para dar aulas à distância, evitando a redução da qualidade de ensino. Convém lembrar que é dever do Conselho Nacional de Educação, impulsionar as relações entre alunos e professores, por meio da implantação, aulas práticas no ensino, para que haja uma interação e dialogo entre alunos, a fim de desenvolver e estabilizar as relações sociais dentro do ensino, proporcionando avanços no ensino superior.