Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 17/11/2020

O surgimento do EAD (Ensino a distância), no Brasil, se deu no século XIX, quando agricultores e pecuaristas aprendiam, por meio de cartas, formas de cultivo ou manutenção de rebanhos. Com a evolução tecnológica, a adesão à ferramenta pedagógica cresceu exponencialmente. Todavia, a qualidade do ensino superior nem tanto. Isso porque, os professores estão despreparados, mas também o acesso “ademocrático” à internet corrobora com o cenário. Assim, faz mister um olhar crítico sobre o assunto.

Primeiro, há descaso por parte do Governo em relação à capacitação do docente para ministrar aulas por meio do EAD. Visto que, em geral, não há matérias voltadas exclusivamente ao aprendizado da metodologia necessária para o EAD em cursos como Pedagogia, conforme grade curricular da Universidade Federal de Santa Catarina. Em consequência disso, 83% dos professores se sentem pouco preparados para ministrar aulas nesta modalidade, conforme Instituto Península. Logo, o ensino tende a apresentar qualidade baixa. Assim, o não investimento estatal é convertido em prejuízo, visto que, o ensino deficiente torna o aprendizado precário, que reflete na mão de obra do amanhã.

Segundo, vale salientar que a cada dez domicílios, oito tem acesso à internet conforme IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse modo, o acompanhamento das aulas torna-se comprometido, o que reflete no desempenho do aluno. Nesse contexto, o discente tem maior chance de sofrer um prejuízo temporal, e formar-se em tempo superior ao necessário conforme a grade do curso, devido à dificuldade para acessar às aulas online. Assim, é preciso democratizar o acesso às internet.

Destarte, é preciso que o acesso à internet seja democrático e os docentes sejam capacitados para ministrar aulas por meio do EAD, a fim de que a qualidade do ensino EAD acompanhe a sua adesão. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir matérias voltadas para o aprendizado de como ministrar aulas por meio do EAD, na grade curricular dos cursos superiores, sobretudo nos cursos de licenciatura. Mas ainda, o Governo deve assegurar o acesso à internet, por intermédio da instalação de redes com acesso livre, em cada bairro, para que o discente possa acessar às aulas online e ter melhora no seu desempenho. Dessa maneira, não haverá contraste entre a alta taxa de migração para o EAD e a qualidade do ensino.