Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 17/11/2020
A filósofa Hannah Arendt define como cidadania “o direito a ter direitos”. Nesse sentido, é possível observar que, no Brasil, o conceito de cidadania é ferido pela ausência da educação para todos. Nesse contexto, o ensino superior à distância sofre questionamentos sobre sua qualidade e possui dois principais problemas: a falta de base educacional dos alunos e a necessidade dos indivíduos de trabalhar para sustentar-se.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a má qualidade das escolas públicas brasileiras tem grande relevância na qualidade dos futuros profissionais do ensino a distância, já que o conhecimento básico dos alunos será limitado e toda a turma tenderá a um menor rendimento. Como ilustração, segundo o Ministério da Educação, os profissionais formados por EAD têm, de fato, um desempenho menor do que os presencialmente ensinados. Por conseguinte, comprova-se que a baixa eficácia do ensino a distância é real e relaciona-se com a má educação básica.
Ademais, evidencia-se que o público alvo dos cursos virtuais é o jovem que trabalha e, por isso, necessita de uma carga horária reduzida e com baixa severidade. Portanto, tamanha flexibilidade concomitante ao pouco tempo de dedicação do aluno diminuem a eficácia da faculdade. Em paralelo, o grupo Racionais MC´S disserta sobre esse cotidiano, “estudar nem pensar, têm que “trampar” ou “ripar” para os irmãos sustentar”. Logo, nota-se a enorme dificuldade da juventude pobre com sua dupla jornada e o porquê do menor desempenho dos profissionais formados a distância.
Sintetiza-se, pois, que os desafios relacionados ao EAD principiam na base educacional e social dos alunos. Então, é necessário que o Governo Federal direcione maior quantidade de verbas para a estruturação das escolas públicas e para a formação dos novos profissionais de pedagogia, por meio de bolsas integrais que possibilitem ao aluno dedicação exclusiva aos estudos, com alimentação, transporte e moradia inclusos. Dessa forma, o modelo de ensino não presencial poderá ter sua qualidade aumentada e a cidadania de Arendt será garantida no Brasil.