Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 19/11/2020

O surgimento do EAD (Ensino a distância), no Brasil, se deu no início do século XIX, quando agricultores e pecuaristas aprendiam, por meio de cartas, formas de cultivo ou manutenção de rebanhos. Com a evolução tecnológica, a adesão à ferramenta pedagógica cresceu exponencialmente. Todavia, a qualidade do ensino superior nem tanto. Isso porque, os professores estão despreparados, mas também o acesso “ademocrático” à internet corrobora com o cenário. Assim, faz mister um olhar crítico sobre o assunto.

Primeiro, há descaso por parte do Governo em relação à capacitação do docente para ministrar aulas na modalidade EAD. Visto que, em geral, não há matérias voltadas exclusivamente ao aprendizado da metodologia necessária para para aplicação do EAD em cursos como Pedagogia, conforme grade curricular da Universidade Federal de Santa Catarina. Em consequência disso, 83% dos professores não se sentem preparados para ministrar aulas no EAD, conforme Instituto Península. Logo, o ensino-aprendizagem é comprometido. Assim, o desinvestimento estatal torna-se prejuízo, visto que, o ensino deficiente reflete em aprendizado precário, além de afetar à mão de obra do amanhã.

Segundo, vale salientar que a cada dez domicílios, oito tem acesso à internet, conforme IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse modo, o acompanhamento das aulas é comprometido, por conseguinte a qualidade do aprendizado e desempenho do discente é afetada, uma vez que o ensino a distância é composto majoritariamente por instruções online. Nesse contexto, o aluno tem maior chance de perceber um prejuízo temporal, e formar-se em tempo superior conforme a grade do curso, devido à dificuldade para acessar às aulas online. Com efeito, o acesso à internet precisa ser democratizado.

Destarte, é necessário que o acesso à internet seja democrático e os docentes sejam capacitados para ministrar aulas por meio do EAD, a fim de que a qualidade do EAD acompanhe à sua adesão. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir matérias voltadas exclusivamente aprendizado de como ministrar aulas por meio do EAD, na grade curricular dos cursos superiores, sobretudo nos cursos de licenciatura. Em adição, é indispensável que o Governo assegure o acesso à internet, por meio da instalação de redes com acesso livre, em cada bairro. Isso poderá ser feito por intermédio de parcerias com empresas privadas, as quais devem ter isenções fiscais, para que possam cobrir todo o território e  fornecer ao discente acesso às aulas, para que possa ter melhor desempenho. Dessa maneira, não haverá contraste entre a alta taxa de migração para o EAD e a qualidade do ensino na modalidade.