Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Tendo como referência o documentário “O dilema das redes”, produzido pela plataforma de streaming Netflix, a evolução da tecnologia e das redes sociais trouxe para as sociedades diversos benefícios, como a melhor comunicação, o encontro de parentes distantes, busca de doadores de órgãos, entre outros. Porém, um dos benefícios que mais contribuiu para a sociedade atual, foi o ensino remoto, que permitiu o ensino superior de diversos cursos de forma online. Entretanto, o ensino a distância no Brasil ainda apresenta falhas, principalmente devido a desigualdade social e pela falta de interação entre os estudantes, o que pode desenvolver doenças mentais.
Em primeira análise, o ensino a distância pode ser uma ferramenta extremamente útil para indivíduos que precisam trabalhar no período integral e não teriam a possibilidade de cursar uma faculdade presencial. No entanto, o Brasil está na lista dos países mais desiguais do mundo e, além disso, aproximadamente metade da população brasileira não tem acesso a computadores e a redes de internet estáveis para manter o estudo. Com isso, estudantes correm o risco de se desconectarem por períodos longos, o que contribuiria para formandos com falhas de ensino e, consequentemente, piores profissionais. Ademais, o nível de desistência é maior, o que contribui para uma população menos estudada.
Em segunda análise, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais, a interação social e contato com outros indivíduos é indispensável tanto na primeira infância quanto na adolescência e juventude. Entretanto, o ensino a distância impede que os colegas de classe tenham esse contato presencial e desenvolvam amizades, melhorem suas habilidades em trabalhos em equipe e partilhem de suas dificuldades ao longo do curso. Com isso, sem o contato social, os indivíduos ficam propícios à solidão, além de poderem ter uma piora no quadro de saúde mental e desenvolverem doenças como ansiedade e depressão.
Por conseguinte, é imprescindível que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação promova ações que permitam jovens sem acesso a internet de acessarem suas aulas e o suporte psicológico para o curso online. Por meio do investimento em computadores móveis, as universidades podem disponibilizar aos alunos os aparelhos digitais para que consigam assistir de forma digna e eficaz as aulas, visando menos desistências e mais profissionais capacitados. Ademais, as universidades devem disponibilizar um psicólogo que realizará consultas onlines periódicas visando a observação dos estudantes e ajuda necessária, além de ficarem disponíveis a qualquer momento para alunos que se sintam na necessidade de ajuda psicológica.