Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 20/11/2020

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou, em 2011, que o acesso a internet é um direito humano, já que, além de reunir todo tipo de informação, a rede também pode impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de indivíduos. A exemplo disso, tem-se a educação a distância (EaD), que revelou no Brasil um potencial transformador e inclusivo na educação, principalmente para a população socialmente excluída. Contudo, infelizmente essa modalidade ainda enfrenta obstáculos e é alvo de preconceitos, devido ao fato da falta de acessibilidade de internet em algumas camadas da população e da resistência de adesão de muitos estudantes, tornando-se necessário adotar medidas que mudem essas ideias.

Em primeira análise, ensino a distância, apesar de ser um excelente meio de aprendizagem, é um recurso que a classe baixa não tem oportunidade de consumir. Dessa forma, a dificuldade na interiorização desta modalidade está diretamente relacionada com a pobreza brasileira que é acentuada nas regiões norte e nordeste do Brasil, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), por não possuir o meio tecnológico adequado, limitando a forma e o canal de aprendizagem, o computador e acesso a internet. Apesar de ser limitada a renda, o ensino a distância também traz uma escassez de relação social entre outros alunos e a falta de avaliação individual.

Outrossim, mesmo sendo mais barato que o aprendizado presencial no Brasil, o ensino online ainda tem sua implantação prejudicada devido a falta de cultura de se estudar em casa. Dessa maneira, a evasão dos alunos e até mesmo dos professores é algo bastante comum na modalidade de ensino a distância pela falta de avaliação individual, e psicológica, do estudante, e, para professores, a transparência do progresso na aprendizagem da “sala de aula”, o que dificulta o caminho para o diploma. Além de quase não existir um contato social direto com as pessoas, o que tona a forma de ensino entediante e monótona. Isso contribui para uma associação errada por parte de muitos de que o estudo pela internet é para descompromissados ou que falta qualidade.

Portanto, a ADEB, junto com o Ministério da Educação, deve propor outros meios de forma de ensino, por meio de programas de televisão ou rádio em horários adaptáveis e com reprises diárias das aulas, assim como, realizar pesquisas sobre o processo individual dos estudantes e reformar, se necessário, a grade curricular estudantil, para uma melhora na aprendizagem brasileira. Ademais, cabe ao governo medidas de incentivo a curto prazo, levando àqueles que tem dificuldade de atendimento pelo aprendizado a distância acesso a internet e instrumentos para estudo de qualidade a preço acessível . Cumprindo com a ajuda da tecnologia compromisso constitucional do direito de educação a todos.