Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 20/11/2020
De acordo com o Ministério da Educação, mais de 7 milhões de brasileiros experimentaram a modalidade de ensino a distância (EAD) no ano de 2019. Esse número é ainda maior se comparado com o ano de 2020, em virtude da adaptação das universidades diante da atual pandemia. Contudo, esse sistema de ensino ainda apresenta fragilidades que podem resultar na formação inadequada de profissionais. Logo, a discussão sobre a qualidade do EAD no Brasil deve ser tratada com veemência. Inicialmente, é oportuno destacar que a interação social, existente no curso presencial, é primordial na formação de um bom profissional. Nesse viés, torna-se hodierna a ideia do filósofo Sócrates que defendia que o contado entre mestre e discípulo e o diálogo eram fundamentais para a construção do conhecimento. Assim, de acordo com a premissa do filósofo, a relação discente e docente de forma online se mostra superficial e insuficiente para que se possa alcançar o melhor resultado.
Entretanto, o EAD não se mostra como uma opção a grande parte dos brasileiros, mas sim como a única alternativa para se conquistar o ensino superior. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 25% dos estudantes do ensino superior procuram o EAD pois ele é o único sistema de ensino que se enquadra em suas rotinas e condições financeiras. Deste modo, a modalidade de ensino a distancia é uma forma de universalizar o ensino superior, levando oportunidade as pessoas com menor poder aquisitivo, com rendas insuficientes para cursar em faculdades presenciais ou que residam nos rincões mais distantes.
Portanto, é imperioso o debate sobre a qualidade do ensino a distância no Brasil, pois este se mostra como uma modalidade de ensino capaz de superar barreiras intransponíveis pela modalidade presencial. Para tanto, o Governo Federal através do Ministério da Educação deverá avaliar constantemente a qualidade do EAD, visto que este deve atingir níveis aceitáveis de qualidade. Assim, o Exame Nacional de Desempenho do Estudante (ENADE) deve ser aplicado em todas as turmas de concluintes dos cursos EAD, de forma a garantir um controle de qualidade mais estável. Ademais, as instituições que disponibilizam essa modalidade de ensino devem criar ambientes coletivos e eventos que permitam a interação entre os alunos e professores, mesmo que de forma periódica.