Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 21/11/2020

O EAD (Ensino a distância), no Brasil, surgiu no início do século XIX, quando agricultores e pecuaristas aprendiam, por meio de cartas, formas de cultivo ou manutenção de rebanhos. Com a evolução tecnológica, as formas de acesso ao ensino também evoluíram, e isso faz com que a adesão à ferramenta pedagógica cresça, sobretudo no ensino superior. Nesse contexto, cresce de importância debater sobre a qualidade do ensino, visto que os professores não tem uma formação adequada, mas também o acesso “ademocrático” à internet pode prejudicar a qualidade do ensino.

Em primeiro lugar, o Governo deve investir na capacitação do docente. Dado que, em geral, não há matérias voltadas exclusivamente ao aprendizado da metodologia necessária para para aplicação do EAD em cursos como Pedagogia, conforme grade curricular da Universidade Federal de Santa Catarina. Por conseguinte, o docente enfrenta dificuldade na hora de ministrar a aula, dado a formação deficiente. Em consequência disso, naturalmente, 83% dos professores não se sentem preparados para ministrar aulas no EAD, conforme Instituto Península. Assim, o ensino-aprendizagem é prejudicado. Isso quer dizer que, o desinvestimento estatal é nocivo, pois o ensino deficiente reflete em aprendizado precário, além de afetar à mão de obra de amanhã.

Em segundo lugar, vale salientar que a cada dez domicílios, oito tem acesso à internet, conforme IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse modo, o acompanhamento das aulas é comprometido, e a qualidade do aprendizado e desempenho do discente é afetada, uma vez que o ensino a distância é composto majoritariamente por instruções online. Nesse cenário, o aluno tem maior chance de perceber um prejuízo temporal, e formar-se em tempo superior conforme a grade do curso, devido à dificuldade para acessar às aulas online. Com efeito, o acesso à internet precisa ser democratizado.

Destarte, é necessário que o acesso à internet seja democrático e os docentes sejam capacitados para ministrar aulas por meio do EAD, a fim de aumentar a qualidade do ensino. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir matérias voltadas exclusivamente ao aprendizado de como ministrar aulas a distância, na grade curricular dos cursos superiores, sobretudo nos cursos de licenciatura. Em adição, é indispensável que o Governo assegure o acesso à internet, por meio da instalação de redes com acesso livre, em cada bairro. Isso poderá ser feito por intermédio de parcerias com empresas privadas, as quais devem ter isenções fiscais, para que possam cobrir todo o território e fornecer ao discente acesso às aulas, para que possa ter melhor desempenho. Dessa maneira, a qualidade do ensino por meio do EAD crescerá tal qual a sua adesão.