Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 23/11/2020
Educação bem distante
A série Elite retrata a vida de um personagem que trabalha como entregador, enquanto escuta áudios das aulas da faculdade. Coincidentemente, essa é a realidade de muitos brasileiros que cursam um ensino a distância, cujo desafio de tal ensino é igualar aos presenciais no quesito qualidade. Nesse viés, é importante discutir os motivos que levam essa qualidade a um nível comprometedor, avaliando questões sobre desempenho dos alunos e a preparação dos docentes para cursos dessa modalidade.
Em primeiro lugar, faz-se necessária a avaliação do desenvolvimento dos estudantes e formados pelo ensino superior a distância. Segundo o Exame Nacional do Desempenho do Estudante (Enade), esses cidadãos não obtiveram um desempenho alto em relação aos que se formaram de maneira presencial. Isso porque muitos estudantes conciliam os cursos com o trabalho e afazeres domésticos, o que prejudica o foco nas aulas. Tais ocorrências colaboram com o declínio qualitativo do ensino.
Em segundo lugar, a maioria dos docentes não está familiarizada com a ministração de aulas via internet. Conforme dados do Ministério da Educação, grande porcentagem dos professores não possui qualificação para ensinos a distância, seja por não conhecerem plataformas educacionais, seja por não terem experiência com a utilização de recursos para proporcionar uma aula mais atrativa. Esses fatos resultam em uma qualidade comprometedora de muitos cursos superiores nessa modalidade.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. É importante que o Ministério da Educação promova a qualificação de docentes, por meio de aulas presenciais gratuitas nas faculdades, que os ensinam a ministrarem aulas a distância na graduação, sob supervisão de um tutor. Espera-se, com essa medida, aumentar o nível de qualidade dos ensinos superiores a distância.