Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 24/11/2020

No início de 1970 começava-se em Brasília as primeiras ofertas de cursos superiores a distância no Brasil, as quais abruptamente obtiveram uma grande expressão. Embora tal modelo de ensino tenha sido importante para expansão da educação brasileira, críticas entorno do mesmo são presentes; principalmente no que tange a qualidade, vide que há instituições que priorizam a mercantilização da educação, tornando assim, o lucro como centro da questão; não o aprendizado. Dessa forma, é preciso enxergar a oportunidade de crescimento que tal fenômeno representa e propor medidas que maximizem os benefícios e minimizem os problemas.

Com base em uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), entre os anos de 2009 e 2019, houve um crescimento de 378,9% no número de alunos que cursam o ensino superior a distância no Brasil, o que demonstra uma grande demanda à este modelo educacional, felizmente, resultado pela versatilidade que o mesmo trás principalmente àqueles que trabalham a maior parte do dia e não contam com tempo hábil para demais atividades, tornando assim este método necessário à uma parcela da população, trazendo maior necessidade na ampliação e desenvolvimento do mesmo.

A partir do que foi mostrado acima, torna-se indiscutível prezar pelas condições necessárias para aplicação dessa metodologia, vide que a mesma, muitas vezes, é a única possível ao ingresso no ensino superior para alguns brasileiros, entretanto, há instituições que não cumprem os requisitos necessários para essa aplicação, o que resulta, por exemplo, no não reconhecimento do Ministério da Educação e Cultura (MEC) nesses espaços. Cabe ainda pontuar que para aplicação de tal metódo é necessário um acesso amplo à internet no Brasil, o que é impossibilitado pela fato de 25% da população não ter essa conexão, como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em uma pesquisa feita em Abril deste ano.

Devido aos argumentos supracitados, faz-se necessário medidas interventivas acerca do problema, como a criação de um orgão regulamentador através de auditorias pelo Ministério da Educação, afim de um maior controle qualitativo nas instituições que aderirem o metódo de ensino a distância. Em pararelo, uma diminuição no Imposto de produtos industrializados (IPI) afim de um maior acesso à instrumentos como computadores e “smartphones” para quem for fazer uso desse método. Consoante ao pensamento de Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades e precisamos, cada vez mais, possibilitar que a educação cresça de forma democrática e com a qualidade necessária.