Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 25/11/2020

De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, a educação não transforma o mundo, ela muda passoas para que essas possam ser protagonistas dessa inovação. Assim sendo, é irrefutável o valor progressista do aprendizado, contudo, por trás das modificações há inúmeros desafios, como é o caso do ensino à distância, modalidade que promete transmitir conhecimento de maneira similar àquele feito presencialmente. Entretanto,a falta de infraestrutura, capacitação profissional e disponibilidade de materiais e incentivos são os principais agravantes para a total efetivação e sucesso dessa novidade, o que pode casionar na desvalorização e descrença nesse modo de estudo.

Primeiramente, cabe analisar os motivos para a despreocupação na melhoria do ensino remoto. É necessário apontar a disparidade quando se trata do acesso aos meios tecnológicos, na qual, de acordo com dados do “Blog Unicamp”, 16% da população brasileira não possui nenhum tipo de acesso ao meio digital. Dessa maneira, somado à permanência da visão de que o ensino eficaz só diz respeito ao tradicional e presencial, a escassez de recursos para atender, de forma igualitária, a todos os indivíduos, são prerrogativas que inviabilizam o êxito da modificação no modo didático de ensino.

Além disso, a ausência do contato entre professor e aluno, assim como o relacionamento entre estudantes, é outro fator que desestimula os discentes. A exemplo disso, pode-se citar o fato de que diversas universidades e instiuições de ensino, apesar de possuírem a modalidade de aprendizado remoto, não se preocupam na criação de polos, para garantir laços sociais entre os universitários e os docentes e consequentemente motivá-los nos conteúdos. Logo, a afirmação de Aristóteles torna-se prática, ao falar que a educação possui raízes amargas, mas frutos doces, o qual, nesse caso, os desafios da educação são azedos e angustiantes para quem prova.

Portanto, medidas são necessárias para confirmar a eficácia dessa nova modalidade de ensinamento. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em conformidade com o Governo Federal e as instituições privadas de ensino, a ação conjunta para contornar os contratempos. Podem agir nos investimentos para criação de polos, não só em capitais, como também em cidades interioranas, além da oferta de cursos para professores interessados em lecionar para categoria remota e na mobilização de campanhas que incentivem a adoção e confiança dos interessados para ingressar no ensino à distância, com a finalidade de “deselitizar” o acesso ao estudo de qualidade, desmistificar a visão pessimista em relação à essa forma de ensino e asseverar qualidade no aprendizado, da mesma forma que o presencial. Assim, poderá ser observado, na prática, o valor transformador da educação, como afirmou Paulo Freire.