Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 26/11/2020
O SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) foi a instituição pioneira no Brasil a difundir o ensino não presencial ao levar conhecimento a lugares distantes, por meio de programas de rádio. Com o passar dos anos, houve uma disseminação dos cursos a distância, muito disso por não demandar deslocamento dos indivíduos e por permitir que cada um estude conforme seu tempo livre, além de ter um preço mais acessível. Porém, existem alguns desafios para sua expansão, como, por exemplo, a sua inacessibilidade e uma qualidade de ensino questionável.
Primeiramente, entende-se que não há uma homogeneidade no que se diz respeito à possibilidade de uso desse formato. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 45,9 milhões de brasileiros não possuem acesso a internet - um bem fundamental para o uso do EAD - informação a qual entra em conflito com o enunciado da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2011, que considera essa tecnologia virtual um fator de direito do ser humano. Desse modo, compreende-se que, assim como defendido pelo filósofo Pierre Lévy, ao ser criada uma nova forma tecnológica, uma parcela da população sem acesso a ela será desenvolvida em conjunto.
Em uma segunda análise, o padrão de instrução duvidoso é uma barreira para ampliação do ensino não presencial no Brasil. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, José Morán, existe o perigo de que alguns grupos econômicos ofertem o EAD de maneira questionável, visando apenas a obtenção de lucros. De maneira análoga à fala do docente, com as baixas restrições para criação de novos cursos, além do reduzido custo de implementação, o risco do surgimento de corporações com objetivos meramente lucrativos é enorme, o que pode transformar a modalidade em um verdadeira “fábrica de diplomas “, pois o processo de aprendizagem acaba sendo encontrado de lado.
Urge, portanto, uma necessidade de atenuar as questões que dificultam a expansão do ensino a distância no Brasil. Por isso, propõe-se que o Ministério da Educação, por meio da união com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, estimule a inclusão digital da parcela populacional que ainda sofre com o déficit estrutural, por meio da formulação e implementação de estratégias que visem o barateamento de equipamentos e a expansão da banda larga, para que, desse modo, a questão da infraestrutura seja superada e, por conseguinte, a democratização do conhecimento torne-se plena.