Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 03/12/2020
A procura das condições favoráveis
Em 1975, uma das pioneiras em educação remota foi fundada no Brasil: a TV Educativa. O objetivo da emissora era levar conhecimento, de forma gratuita, a todos os locais do país. Entretanto, a plena implementação do ensino à distância (EaD) é impedida pela falta da cultura de autoaprendizagem nos alunos e pela carência de recursos tecnológicos para a população. Logo, é preciso alterar esse cenário para garantir o total desenvolvimento da formação via online.
Por um lado, os valores arcaicos do sistema educacional dificultam a concretização do EaD. A partir do século XVIII, com o Iluminismo, as academias se concentraram na figura do professor – o detentor da informação –, enquanto os pupilos tornaram-se passivos no processo de aprendizagem. Essa lógica ainda prevalece, o que prejudica o ensino remoto, que exige disciplina, organização e autonomia do estudante. Assim, dependentes de uma orientação constante, os alunos apresentam dificuldade de acompanhar o atendimento virtual e acumulam dúvidas. É fundamental, pois, a criação de um hábito autodidático para uma formação à distância de qualidade.
Além dos ideais antiquados inerentes às instituições acadêmicas, a falta de recursos para todos é um empecilho para a implantação da educação remota. O EaD é baseado em videoaulas, pressupondo a disponibilidade de serviços e de equipamento digitais. Contudo, esse modelo é rejeitado pela realidade brasileira, em que 30% dos cidadãos não têm acesso à internet, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios de 2018. Nesse sentido, o ensino à distância não se mostra democrático, compreendendo somente a população abastada. Então, é essencial o oferecimento de determinadas ferramentas para a efetivação do aprendizado remoto.
Portanto, medidas são necessárias para a sistematização do EaD. O Ministério da Educação deve incentivar a independência dos alunos no processo de aprendizagem, por meio de trabalhos em campo e de pesquisas individuais. Consequentemente, o autodidatismo será estimulado e a passividade histórica do ensino será combatida. Também é importante que o Ministério das Comunicações diminua os preços cobrados pelo acesso à internet e aos aparelhos tecnológicos, por intermédio de subsídios às empresas privadas de telecomunicação – como Vivo, Claro e NET –, a fim de ampliar a inclusão digital na comunidade. Dessa maneira, haverá condições favoráveis para o estabelecimento da educação remota no país.