Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 04/12/2020

A revolução técnico-científico-informacional, que teve início na segunda metade do século XX, inaugurou diversos avanços científicos e tecnológicos que contribuíram para a democratização do acesso ao conhecimento, e, na última década, para o advento do ensino à distância. Entretanto, avaliações de desempenho revelam uma enorme disparidade entre os resultados de universidades presenciais e remotas, abrindo espaço para a discussão acerca da qualidade do “ead” e para a análise de possíveis lacunas na formação profissional e acadêmica no método.

A priori, é imperioso destacar que, de acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), somente 21% dos brasileiros de 25 a 34 anos têm ensino superior completo, sendo uma das piores taxas de qualificação do globo. Nesse viés, é fato que os dados podem ser relacionados à desigualdade social no território brasileiro: para muitos o estudo ainda fica subordinado à necessidade do trabalho para o auto sustento. Para esses, é apresentado o ensino à distância como uma alternativa ao abandono dos estudos, que embora muito mais flexível, também exige tempo, dedicação e uma boa conexão com a internet.

Em contrapartida, vale analisar o atual paradigma do ensino superior remoto no país, onde é visto com pouca distinção. A pandemia do SARS-CoV-2, por exemplo, explicitou o desnivelamento entre as faculdades, pois ainda que todas tenham adotado o método não ou semipresencial, ainda restaram disparidades no desempenho dos estudantes. Analogamente, a homogeneização do ensino superior foi útil para identificar que uma universidade física oferece não só professores, mas uma estrutura de aprendizagem e inserção de ensino, e que o universo de pesquisa, mercado, internacionalização e oferta de oportunidades que apresentam ainda carece ao mundo virtual das “eads”.

Diante desse cenário, revela-se a urgência do desenvolvimento e reparação do ensino a distância no país. Para tanto, é imperativo que o Ministério da Educação estabeleça uma base específica a ser seguida em cursos não presenciais, a fim de mitigar os preconceitos acima da modalidade, além de expandir a oferta de vagas do método em universidades públicas e garantir, através da determinada regulamentação, que centros universitários mais recentes ofereçam toda a estrutura de ensino necessária ao aluno. Além disso, cabe às prefeituras municipais, através do CRAS e verbas governamentais, o auxilio e apadrinhamento de jovens que queiram estudar, dando-lhes o direito e a oportunidade de escolha. Afinal, somente assim será possível munir os alunos do conhecimento necessário para ingressar no mercado de trabalho e conscientizá-los acerca da inocuidade da obtenção de um diploma sem uma boa formação.