Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 09/12/2020
De acordo com o Censo da Educação Superior do INEP há mais de 2 milhões de alunos matriculados no ensino à distância (EAD) na graduação. Entretanto, embora os números revelem uma taxa crescente dessa modalidade, a qualidade desse ensino é precária no Brasil atual, tendo como causa a exclusão digital e consequentemente há uma maior taxa de evasão desse ambiente. Logo, urge a necessidade de combater a problemática.
Em primeiro lugar, a indisponibilidade de algumas regiões brasileiras em relação ao acesso à internet é uma das causas do déficit de qualidade do ensino superior. Sob essa lógica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirma que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet, especialmente nas regiões norte e nordeste, as quais são mais afetadas pela exclusão digital. Dessa forma, é inviável que jovens e adultos possam usufruir de tal ensino se não possuem, nem mesmo, as ferramentas iniciais necessárias para começarem. Em síntese, para um bom desenvolvimento da educação citada, é necessária reversibilidade desse cenário.
Por conseguinte, a carência de qualidade do EAD contribui para a impermanência dos alunos matriculados nessa modalidade. A exemplo disso, o filósofo Edgar Morin postula que deve-se educar para a complexidade, ou seja, o conhecimento deve ser passado de forma aprofundada, integralizada e transdisciplinar. Contudo, o EAD é marcado pelo imediatismo da internet e pelo superficialismo dos conteúdos das graduações, nesse sentido exemplifica-se uma das causas da alta taxa de evasão nessa modalidade, a qual também é explicada pela falta do estudo bem planejado argumentado por Morin. Assim sendo, é imprescindível levantar soluções para os problemas apresentados que impedem a plenitude desse contexto no Brasil.
Portanto, é dever das instituições de ensino superior à distância oferecerem, por meio da proposta de integração dos variados canais de comunicação, de interação com o espaço e autonomia do aluno, o aprofundamento dos conteúdos e uma educação mais complexa e pedagógica, com a finalidade de aproximar o ensino presencial do virtual, assim como formar profissionais bem preparados. Além disso, é papel do Governo, como órgão responsável por repassar verbas aos estados e municípios, mediante subsídios financeiros, destinar estes recursos às Prefeituras, as quais devem ampliar os focos de internet para as regiões interioranas -como Norte e Nordeste-, a fim de distribuir o excelente ensino EAD que será ofertado pelas instituições. Enfim, o Brasil desfrutará de uma melhor qualidade no ensino superior à distância.