Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 05/12/2020
No ano de 2020, com a pandemia causada pelo Covid-19 e o consequente isolamento social, o ensino à distância (Ead), associado à tecnologia contemporânea, ganha absoluto protagonismo. Entretanto, embora o EaD seja algo positivo por tornar a educação mais acessível, ele retira significativamente a qualidade da formação do indivíduo. Com isso, deve-se analisar a conduta dos alunos de não levar os estudos à sérios quando matriculados nessa modalidade, bem como a consequência, principalmente no campo do magistério, quando não há um aprendizado de qualidade.
Em primeiro lugar, evidencia-se o comportamento dos alunos brasileiros diante dos estudos como um dos principais fatores por essa baixa qualidade. Nessa perspectiva, pelo fato de o EaD ser uma modalidade mais flexível, as pessoas acabam não levando com seriedade e disciplina o seu momento de estudos. Além disso, alguns mecanismos disponíveis na internet - como a de buscar respostas prontas às questões - não agregam valor aos estudos quando utilizadas com má intenção. Em consonância com essa ideia, Milton Ribeiro, o atual ministro da educação, disse em uma coletiva virtual sobre como os alunos brasileiros não conseguem fazer prova EaD sem colar. Certamente, é evidente que os discentes brasileiros estão preocupados apenas com a nota e o diploma que irão receber, sem se atentar de que dependem de um estudo com qualidade para que se tornem bons profissionais.
Soma-se a isso o fato de a busca pela modalidade Ead ser predominante para cursos com licenciatura e como isso - associado à baixa qualidade citada - torna-se um problema a longo prazo. Segundo o Censo de Educação Superior, feito em 2019, mais de 50% dos interessados em cursos com licenciatura optaram pelo ensino remoto. Nessa perspectiva, cria-se uma bola de neve ao formar uma geração de docentes com pouca qualidade e que passarão seus conhecimentos de forma pouco produtiva aos discentes. Com isso, o ensino há de se tornar defasado a longo prazo, demonstrando como é imprescindível a busca pela melhora do ensino à distância.
Conclui-se, portanto, que é necessária a busca da resolução para esses motivos que levam à má qualidade. Decerto, cabe ao Conselho Nacional de Educação, em conjunto com o Ministério da Educação, aderir a um sistema mais rígido de avaliação no EaD. Eles devem, por meio da alteração das diretrizes que medem a qualidade dos cursos à distância, submeter as instituições de ensino (que obtenham a modalidade EaD) à prática de avaliar periodicamente - de maneira presencial - os discentes matriculados em tal modelo, a fim de evitar a prática da cola e medir com mais clareza o aprendizado do indivíduo. Com isso, será possível promover manutenções constantes aos alunos com baixo desempenho e, por fim, torna o EaD um verdadeiro protagonista do futuro do ensino.