Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 09/12/2020

Parafraseando Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Partindo dessa premissa, nota-se a importância da educação para a formação do indivíduo. Entretanto, durante a pandemia, muitos estudantes passaram a ter aulas remotas, as quais, apesar dos aspectos negativos, se forem bem planejadas, podem beneficiar os alunos. Desse modo, são prementes debates sobre a conscientização necessária dos jovens em relação à aprendizagem por meio digital, a fim de torná-la mais acessível e incentivar o aprendizado.

Em primeiro plano, uma pesquisa Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostrou que a educação à distância(ead) não é tão eficiente quanto aulas presenciais. Dito isso, nota-se que o ensino remoto reafirma a fala de muitos professores, os quais pontuam que o aprendizado é uma via de mão dupla. Nesse viés, esse aprendizado pode ser prejudicado, devido à pouca interação entre professores e alunos e à baixa frequência nas aulas. Além disso, segundo a Agência Brasil, 25% dos brasileiros não têm acesso à internet, o que mostra que a tecnologia não é uma realidade para todos, graças à condição socioeconômica de muitos discentes. Ademais, o ead exige mais disciplina e organização dos jovens, que podem se distrair nas aulas, acessando as redes sociais. Assim, é indubitável a influência  negativa do ensino remoto sobre o desempenho dos alunos, já que, além de problemas com tecnologia, os  jovens não são devidamente avaliados, pois não há fiscalização adequada durante as provas.

Por outro lado, segundo a teoria da Tábula Rasa de Locke, o homem é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, muitos jovens podem ser “preenchidos” positivamente por conhecimentos advindos das aulas remotas. Sob esse prisma, o ead pode propiciar o desenvolvimento da autonomia e senso de organização dos alunos, que podem gerir o próprio tempo e assistir aulas gravadas em horários mais convenientes, colaborando para um maior aproveitamento. Aliado isso, aulas on-line promovem a descoberta de novas metodologias de ensino, como o “Kahoot”, que traz um aprendizado baseado em jogos. Posto isso, são inegáveis os benefícios do ead para o processo de aprendizagem dos jovens, graças à praticidade, conveniência e custo mais acessível.

Infere-se, portanto, que, o ead possui aspectos positivos e negativos. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova seminários para educadores por meio de vídeos em plataformas digitais com orientações sobre o melhor aproveitamento das aulas on-line, com dicas de metodologias de ensino com o fito de melhorar a educação a distância e incentivar a busca pelo conhecimento, tanto por parte dos professores quanto dos alunos. Logo, poderá ser formada uma sociedade com cidadãos mais críticos e organizados, que se tornarão as futuras grandes referências do Brasil.