Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 14/12/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988 a educação é direito de todos, e dever do Estado e da família. Entretanto, no Brasil, país marcado pela desigualdade social, nem sempre essa afirmação é cumprida. Nesse contexto, surgiu a Educação a Distância (EAD) com intuito de facilitar o acesso ao ensino, contudo esbarra constantemente na baixa qualidade dos cursos, que relaciona-se a falta de fiscalização, formação incipiente dos docentes, descompromisso institucional e altos índices de evasão. Assim, cabe analisar os principais desafios envolvidos nessa temática.
Em primeiro plano, evidencia-se a importância da formação e qualificação dos docentes, uma vez que, professores mal treinados e desatualizados formam alunos desinteressados e profissionais despreparados. Dessa maneira, em virtude da carência educacional no Brasil e impulsionados pelo baixos custos de implantação, o ritmo de implantação dos cursos EAD é acelerado, com taxa de crescimento de 26% ao ano, conforme levantamento realizado pelo portal de notícias A Gazeta. Sabe-se, que a faciliade de acesso ao EAD tem atraído, um grande número de jovens, entretanto, os índices de evasão são igualmente elevados. Somado a isso, o discentes apresentam desempenho muito inferior quando comparado aqueles de cursos presenciais. Assim, a qualidade do ensino que deveria ser pautada como prioridade é deixada de lado e tratada com descaso.
Ademais, o MEC, como orgão federal regulador do ensino superior no país, responsável pelo credenciamento das instituições de ensino e autorização dos cursos de Educação a Distância, não fiscaliza e acompanha de forma efetiva os inúmeros cursos autorizados, acarretando desse modo, o descumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. O fato é que, a falta de fiscalização pode gerar consequências graves para o fututo profissional desses indivíduos. Em seu discurso, o ativista e político Nelson Mandela, relata que a educação tem o poder de mudar o mundo. É indubitável que, essa afirmação é verdadeira e demonstra a importância da edução para o país, porém, somente será válida quando o ensino for encarado com seriedade e compromisso pelas partes envolvidas.
Depreende-se, portanto, que a alta expansão dos cursos EAD, de forma desordenada e sem qualidade, não é garantia ao direito da educação, e pode ocasionar problemas ainda maiores ao lançar no mercado indivíduos despreparados. Portanto, o MEC deveria atuar de forma mais rígida, tanto na autorização dos cursos, como na fiscalização das instituições. Assim como, promover constantemente cursos de capacitação e treinamento pedagógico, e exigir a atualização dos docentes, a cada dois anos. Dessa forma, só assim teremos uma melhoria da qualidade do ensino com professores comprometidos e formação de profissionais mais qualificados.