Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 19/12/2020

Em 2020, durante a pandemia do novo CoronaVírus, muitas instituições de ensino encontraram inúmeras dificuldades para se adaptar ao modelo de Educação a Distância (EAD). Nesse contexto, o debate acerca da qualidade desse modelo educacional ganhou ainda mais espaço na sociedade, principalmente no que se refere à Educação Superior, uma vez que as avaliações de desempenho realizadas pelo MEC revelam a ineficácia do serviço ofertado. Portanto, é preciso analisar o despreparo dos estudantes para essa modalidade, bem como a impessoalidade desse método de ensino como redutores da qualidade do ensino superior remoto no Brasil.

Inegavelmente, o aluno que utiliza um sistema EAD é beneficiado pela independência e liberdade de escolher como deseja organizar seus estudos. Entrentanto, isso também pode ser considerado um problema quando o estudante não foi capacitado com habilidades socioemocionais durante seu ensino básico e médio que facilitem seu gerenciamento de tarefas, como a responsabilidade e a autonomia. Dessa forma, ele torna seus estudos improdutivos, pois foi acostumado a manter a disciplina apenas com uma clara vigilância externa, como ocorre no modelo prisional do Pan-óptico, do filósofo Jeremy Betham. Sob essa teoria, todos acatam às regras que são incubidos, pois se sentem sempre observados, ainda que não estejam sendo no momento; cabe ressaltar que, na educação presencial, o professsor é quem atua como o pan-óptico.

Além disso, ainda que exista um modelo de suporte - que é fundamental para que o MEC valide da instituição -, ele é impessoal e prejudica a coesão do sistema remoto. Isso ocorre porque os estudantes do EAD são privados da interação social promovida pelo ensino presencial, que é fundamental para a formação do indivíduo, conforme o sociólogo Emile Durkheim. Logo, sem contato direto não só com os outros alunos, mas também com professores e outros membros do corpo funcional da escola, o indivíduo pode perder o sentimento de identificação com o curso, o que promove a desistência.

Em síntese, compreende-se que a educação a distância de nivel superior no Brasil, tem diversos impecilhos para sua plena performance. Por isso, é necessário que as escolas promovam habilidades socioemocionais, por meio de projetos idealizados entre psicólogos e professores para cada uma das séries, entre o ensino básico e médio. Dessa forma, os cidadãos estarão preparados para optar pelo ensino remoto no futuro. Cabe, também, às universidades, promover um sistema de apoio mais humanizado, no qual aquele que requer o suporte pode escolher se deseja trocar mensagem, ligar ou fazer uma vídeo-chamada com o atendente através da própria plataforma online. Desse modo, as interações se tornarão mais pessoais e acolhedoras, diminuindo a evasão das universidades.