Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 10/01/2021

O advento da quarta revolução industrial, com surgimento do computador e internet, possibilitou uma revolução no sistema educacional das sociedades. Em outros termos, as novas tecnologias permitiram transpor as salas de aulas para o mundo virtual, a partir da Educação à Distância (EAD). Entretanto, o que poderia ser uma vantagem para um país de proporção continental, no contexto brasileiro, a qualidade EAD no ensino superior tem sido questionada, especialmente pela lógica de tratamento da educação como mercadoria.

Em primeiro lugar, cabe destacar que há diferenças entre o ensino à distância e ensino remoto. Segundo a União Nacional dos Estudantes, o primeiro requer uma estrutura de ensino-aprendizagem, que permita a capacitação e formação contínua e adequada, com abordagens específicas para o mundo virtual. Já o segundo seria apenas aulas tradicionais com transmissão online e que, por sua vez, foi amplamente utilizado pelas instituições de ensino em 2020, devido ao isolamento social causado pela pandemia da Covid-19. Assim, com exigências metodológicas, a qualidade da EAD pode ser afetada se não houver estrutura e metodologia que possam entregar uma educação satisfatória.

Nesse caso, a qualidade desse tipo de educação tem sido afetada pela busca para diminuir os custos e aumentar dos lucros das instituições privadas, as quais concentram parcela significativa das matrículas de graduação na EAD, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Por exemplo, para a Universidade Federal de Minas Gerais mais de 60% dos professores de ensino superior não possuem formação tecnológica para manejo dos equipamentos necessários para o ensino. Ou seja, não há como entregar para os alunos uma educação de acordo com os planos pedagógicos dos diversos cursos sem uma capacitação adequada. Em virtude disso, para o MEC, 2/3 dos egressos dessa modalidade de educação não apresentaram níveis satisfatórios no Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Alunos, sendo índices maiores que os graduados em nível presencial.

Nesse sentido, fica claro, portanto, as razões do questionamento sobre o nível de qualidade da educação à distância no Brasil. Por isso, faz-se necessário que o MEC crie, a a partir de sua Diretoria de Ensino Superior, uma comissão, integrando as representações das instituições de ensino público e privado, assim como estudantis, para buscar um marco regulatório para a EAD. Assim, esse grupo de trabalho com diversos atores da sociedade poderão se debruçar sobre parâmetros que possam aumentar o nível de qualidade dessa modalidade de educação, como a formação pedagógica em tecnologia para os professores. Desse modo, a educação à distância poderá ser também um instrumento de transformação social, ao moldes do educador Anísio Teixeira.