Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No documentário brasileiro “Pro Dia Nascer Feliz”, o diretor João Jardim aborda de forma crítica a história de estudantes de diferentes lugares e diferentes condições sociais, bem como as dificuldades que marcam a educação no Brasil. Fora do cinema, é fato que a realidade contemporânea é condizente com a trama: o ensino no país ainda é deficiente e enfrenta inúmeros obstáculos, especialmente no que diz respeito à modalidades como a educação superior a distância. Nesse sentido, cabe avaliar como a má destribuição e qualidade da internet no país e os problemas de cunho social inferem no tema.
Em primeira análise, é preciso averiguar como a desigualdade que caracteriza o uso da técnologia no país corrobora para a desqualificação do ensino superior a distância. Consoante ao escritor Ariano Suassuna, o Brasil é dividido entre privilegiados e despossuídos. Nesse sentido, tal lógica faz-se verídica na contemporaneidade. O ensino EAD não é atingível a todos, uma vez que, muitos jovens possuem alcance remoto ou não contam com qualquer tipo de acesso à internet e a recursos que possibilitem seu uso, como computadores e smartphones. Tal fato tem como consequência a elitização do ensino on-line e a segregação ainda maior entre os cidadãos, como dito por Suassuna.
Somado a isso, as desigualdades sociais que pairam sobre a sociedade brasileira também influênciam na baixa eficácia do estudo superiror não presencial. Nesse sentido, o longa metragem “Jogos Vorazes” retratou uma realidade em que jovens moradores de distritos muito pobres deixavam a escola precocemente em detrimento da necessidade de levar sustento às famílias. Paralelo à trama, inúmeros brasileiros vivenciam realidades semelhantes: a necessidade de manter uma rotina árdua de trabalho leva muitos cidadãos ao esgotamento físico e mental e ao consequente fracasso nos estudos, uma vez que a modalidade a distância exige maior empenho, foco e disciplina. Assim, o ensino EAD acaba por formar profissionais com baixa qualificação e segue deficiente no país.
Isso posto, torna-se necessário um debate sobre o tema. É cabívell ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Técnologia e Informação, sanar a problemática. Para isso, a criação de políticas que democratizem o acesso a internet, por meio da criação de redes Wi-Fi gratuítas em locais públicos e da destinação de verbas públicas ao fornecimento de computadores aos mais carentes, a fim de garantir que todos os jovens possam optar pela modalidade a dsitância do ensino, é fundamental. Além disso, garantir a permanência e o crescimento de programas, como Bolsa Família, de modo a favorecer também os universitários e evitar que esses tenham de prejudicar o estudo por conta do trabalho é de extrema importância. Somente assim, será possível alcansar um ensino a dsistância eficiente no Brasil e acabar com o abismo social analisado por Ariano Suassuna.