Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Segundo o filósofo Immanuel Kant, a educação é essencial para a humanidade mas fornecer educação é um dos maiores problemas do homem. Embora esta problemática ainda esteja presente em tempos hodiernos, as ferramentas de ensino a distância (EAD) tem se mostrado como uma opção de transformar e democratiza o ensino. Apesar disso, a qualidade desta modalidade de instrução é muitas vezes questionada, cabendo um debate para equacionar este problema e assegurar ensino de qualidade a todos.

Em primeiro lugar, as críticas sobre a qualidade desta modalidade de ensino não são totalmente sem fundamento. Segundo o próprio MEC, ao avaliar e comparar concluintes de ensino superior em modalidade presencial e a distância, verifica-se que os estudantes em modalidade presencial obtiveram melhores resultados. Ainda mais, segundo o mesmo órgão governamental, o ensino a distância tem tido crescimento exponencial capitaneada por instituições privadas de ensino, satisfazendo dessa forma uma demanda reprimida a preços mais baixos quando comparados a instituições tradicionais. Visto que as instituições líderes neste movimento são privadas, muitas vezes o objetivo principal torna-se o lucro da instituição e a qualidade do ensino fica relegada a segunda ordem.

Como consequência desta dinâmica, profissionais pouco qualificados são colocados no mercado de trabalho. Estes podem sofrer com o desemprego e ter suas expectativas frustradas quando avaliados pela indústria ou podem se inserir no mercado e se transformarem em profissionais deficientes. Isto é especialmente problemático no caso de professores, pois gera uma reação em cadeia. Segundo uma passagem bíblica, Jesus chama de “guias cegos” àqueles que desejam guiar pessoas sem ter o devido conhecimento. No caso dos professores com formação deficiente advinda do ensino a distância, essa parábola de fim catastrófico torna-se especialmente preponderante.

Logo, fica claro que ainda existem muitas lacunas que precisam ser preenchidas para suprir de maneira adequada a necessidade de ensino no país. Neste sentido, cabe aos conselhos de classe profissional servir como indicador ao MEC da qualidade das instituições de ensino. Isso pode ser feito por avaliar a qualidade dos profissionais formados para exercer as profissões pretendidas. Esta avaliação, que compete  aos conselhos, deve ser repassada ao MEC para subsequente correlação das instituições de ensino. Ao perceber que determinada instituição não contempla os requisitos mínimos para capacitar o estudante e transforma-lo em um profissional, a mesma deve sofrer uma advertência e caso não se readéque ser fechada. Como efeito, será possível separar as instituições de acordo com sua qualidade satisfazendo, assim, a controvérsia iniciada por Kant.