Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Na obra literária ‘’#Alive’’, é mostrada as adaptações feitas na sociedade após o planeta ser devastado por um vírus zumbi. Assim, pode-se destacar a mudança educacional, na qual para reduzir os riscos de expedições diárias, se adotou a educação a distância. De maneira análoga à obra ficcional, verifica-se uma crescente na modalidade no país. Logo, cabe o debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil, analisando a democratização educacional que proporciona, bem como a ausência de contato social.

Deve-se pontuar, de início, que com a chegada da corte portuguesa no Rio de Janeiro, as primeiras faculdades foram instaladas, entretanto, só uma minuscula parcela da população tinha acesso aos cursos caríssimos. Hodiernamente, mesmo após séculos do evento histórico, as universidades permanecem sendo um ambiente elitista e excludente com a população de baixa renda devido a processos seletivos de alta dificuldade. Dessa maneira, é notório o papel das graduações não presenciais na democratização educacional, uma vez que permite o acesso, por preços acessíveis, àqueles que não frequentaram uma escola de qualidade. Assim, na EAD particular, se tem acesso a aulas de qualidade, possibilitando uma futura ascensão social do indivíduo.

Sob esse viés, pode-se pontuar, ainda, que segundo Piaget, a socialização na sala de aula é o caminho para uma aprendizagem significativa, pois ela permite a criação de laços emocionais que tornam o ensino mais atrativo. No entanto, nota-se que num curso a distância, tal prática não existe, dessa forma, o sujeito fica isolado didaticamente e emocionalmente, o que gera menor interesse e desempenho nas aulas. Por conseguinte, de acordo com dados do Todos Pela Educação, a modalidade teve baixo no ENADE, exame que avalia o desempenho educacional, explicitando as consequências da falta de contato social.

Em suma, é evidente a necessidade de propostas afim de democratizar a educação, bem como superar ausência de socialização. Em vista disso, o Ministério da Educação, orgão responsável pelas políticas educacionais, deve criar o programa nacional ‘’Superior para todos’’, que irá criar vagas EAD acessíveis nas universidades particulares, por meio de um projeto de lei, com o objetivo de tornar os cursos superiores mais democráticos. Além disso, o MEC adicionar um número mínimo de reuniões das turmas, afim de aumentar o contato social por meio da reformulação da diretriz nacional de currículos. Sendo assim, os debates sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil seriam reduzidas e a modalidade seria normalizada como na obra ficional.