Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Durante a pandemia do novo coronavírus, as instituições de ensino precisaram flexibilizar sua agenda e logística, implementando um regime de aulas online. Tal episódio trouxe à tona o debate acerca da qualidade da educação superior a distância, a qual já era recorrente ao redor do país antes da crise sanitária. Sendo assim, cumpre mencionar a dificuldade do manejo tecnológico e os obstáculos para uma plena adaptação como pilares que conduzem a discussão sobre o aproveitamento dessa modalidade de aprendizado. De início, é imperativo ressaltar que os óbices no uso integral da tecnologia contribuem para a baixa qualidade das faculdades a distância. Para ratificar, vale citar o posicionamento do historiador Yuval Harari, de que um dos desafios do século XXI é o proveito da gama de informação e recursos a que se tem fácil acesso. Sob essa ótica, uma vez que o ensino superior online abarca indivíduos que optam por esse método em função de sua praticidade e flexibilidade, observa-se que o foco em desenvolver habilidades cibernéticas é deixado em segundo plano, acarretando, como aponta Harari, em uma sobrecarga de mecanismos e ausência de eficiência para ampliá-los do nível teórico ao prático. Logo, é fundamental que haja uma harmonia entre os interesses acadêmicos e as possibilidades tecnológicas – de modo a aprimorar a interação entre os corpos discente e docente, e ampliar previamente o conhecimento online dos alunos – para que os estudantes possam usufruir de uma plena e proveitosa formação na modalidade de ensino a distância (EAD). Outrossim, cabe salientar que recortes englobando as divergências dos alunos são cruciais para o êxito da metodologia de educação superior remota no Brasil. Nesse sentido, a antropóloga Lilia Schwarcz afirma que as mudanças a serem desenvolvidas em território nacional devem considerar as múltiplas condições dos cidadãos a serem beneficiados, os quais compõem diferentes camadas sociais. A partir desse viés de análise, observa-se a importância da construção de uma grade digital abrangente, que não exclua indivíduos com acesso limitado à internet e inclua, também, alunos com capacidades cognitvas particulares, como autistas e disléxicos. Esse projeto, como aponta Lilia, demanda tempo e preparações inéditas por parte das instituições, as quais, todavia, não tem ocorrido de forma homogênea no país – fazendo com que o sistema superior em EAD encontre-se debilitado e inferior à modalidade presencial. Assim, é imprescindível que ocorra um planejamento polifônico das faculdades que desejam disponibilizar o ensino a distância, para que possam, de maneira satisfatória, atingir as demandas de todos os estudantes e adaptar a metodologia ao regime online eficientemente.