Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 15/01/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” esse trecho do poeta Carlos Drummond de Andrade, infere-se que a baixa qualidade do ensino superior à distância, configura-se como um obstáculo não só para os futuros profissionais que escolhem esse método de ensino, como também um problema subsequente para o governo brasileiro. Nesse contexto, é relevante a análise dos fatores que contribuem para o problema em questão.
Em primeiro plano, é preciso atentar para uma negligência governamental em relação a um problemática. Uma vez que, segundo a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) ou padrão de qualidade do ensino deve ser garantido pelo Estado, entretanto tal fato não está sendo verificado na realidade da educação virtual no Brasil. Visto que, segundo o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2019, dos formandos que concluíram a graduação à distância, 75% estão abaixo da pontuação 50. Nesse sentindo, de acordo com o geógrafo Miltom Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos.
Além disso, é importante destacar que uma baixa qualidade do ensino superior à distância, corrobora para a perpetuação das falhas do sistema educacional brasileiro representando um enorme problema para o Estado. Posto que, segundo um estudo realizado pela organização Todos pela Educação, a cada 10 alunos que se formaram em pedagogia e licenciatura - áreas voltadas à formação de docentes - no ano de 2017, seis cursavam uma modalidade de ensino EAD. Nesse sentindo, análogo às leis newtonianas de que toda a ação gera uma reação, as consequências de um ensino precário, está gerando profissionais ineficientes e este ciclo vicioso tende-se a permanecer, dado que serão esses os futuros professores.
Infere-se, portanto, que os problemas citados acima mostram-se como uma grande pedra a ser removida do caminho para o crescimento. Para que isso ocorra, o Ministério público juntamente com o Ministério da Educação deve elaborar mecanismos para avaliação da qualidade da educação virtual no Brasil, para que essas forme profissionais capacitados que contribuam para o crescimento do país ajudando a sanar as falhas do sistema educacional.