Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 19/07/2021
No ano de 1975 foi implantada a pioneira da educação remota brasileira: a TVE. Seguindo a trajetória aberta pelo jornalista Roquette-Pinto, a emissora deu ínicio a história da EAD que acarretou a distribuição de conhecimento para todos os cantos da nação verde-amarela. Conquanto, a implementação sistemática da educação a distância, iniciada por Roquette-Pinto, apresenta desafios que passam pela falta da cultura da autoaprendizagem e também pela escazes de recursos básicos para a população. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, o sistema educacional vigente no Brasil é inspirado no modelo do Iluminismo, esse que impõe a submissão intelectual do estudante à figura do professor, que é apresentado como o detentor do conhecimento. Nesse sentido, o aluno, desde o iluminismo, acostumou a ser passivo no processo de aprendizagem, realidade essa que inviabiliza o ensino a distância. Desse modo, os alunos aprendem desde seu ensino fundamental a serem dependentes de segundos, e adentram no ensino superior com a mesma mentalidade. Ora, enquanto houver mentalidade passiva por parte dos estudantes, a educação remota não alcançará seus objetivos.
Ademais, além da falta da cultura de autoaprendizagem, outro entraves impede que o ensino EAD no Brasil seja uma realidade: a carência de recursos básicos da população. Ocorre que a proposta de sistematização do ensino a distância esbarra na falta de urbanização e na miséria extrema de alguns locais negligenciados, como o município de Melgaço (menor IDH do Brasil). Outrossim não há como aprender, presencial ou remotamente, convivendo com a fome e com ausência de serviços básicos, o que afeta na qualidade de estudos desses em questão. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprenscíndivel que o Ministério da Educação modifique a mentalidade dos estudantes, por meio de projetos de iniciação científica, que estimulem os alunos a desenvolver a autoaprendizagem, a fim de desconstruir a passividade histórica do ensino. Por sua vez, o Ministério Público Federal precisa fiscalizar a oferta de serviços básicos, como saneamento e alimentação, por intermédio de visitas a locais carentes. A iniciativa do MPF teria a finalidade de garantir que o ensino a distância encontrará condições favoráveis para sua implementação, de modo que o papel social da TVE e a busca por ensino sejá realidade.