Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 06/09/2021

Sabe-se que o Brasil é o 9º país com maior índice de desigualdade social do mundo. Diante disso, a discussão sobre a qualidade do ensino superior à distância não pode desconsiderar o cenário socioeconômico do país. Outrossim, a dificuldade de inclusão de pessoas portadoras de deficiência, seja física, seja intelectual, é uma barreira a mais no anseio de se atingir uma qualidade plena no ensino à distância. Sendo assim, é preciso que o Estado atente para a falta de acesso a aparelhos primordiais para o ensino à distância e para as demais barreiras que dificultam a qualificação no EaD.

Em primeira análise, embora o ensino à distância tenha sido criado para facilitar a capacitação de quem tem que conciliar trabalho e estudos, é fulcral observar as razões pelas quais esse objetivo não está sendo atingido. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o nono país mais desigual do mundo. Sob essa perspectiva, o ensino via internet encontra a maior barreira da sociedade brasileira: a socioeconômica. A exemplo do que se viu em meio à pandemia de Covid-19, muitos alunos brasileiros sequer têm aparelhos tecnológicos e internet para acompanhar as aulas de forma remota ou à distância. Sendo assim, não há como obter bons resultados. Destarte, urge que o Poder Público proporcione os meios necessários aos alunos para viabilizar e democratizar o ensino à distância, sobretudo no nível superior.

Ademais, outro obstáculo que impede a qualidade de ensino não-presencial de avançar é a dificuldade de incluir pessoas portadoras de deficiências nessa modalidade de educação. Sob esse prisma, se já é difícil pôr intérprete de libras (língua brasileira de sinais) na sala de aula, disponibilizar  material em braile para pessoas cegas ou com baixa visão, contratar tutores para indivíduos que estão dentro do espectro autista etc. dentro da modalidade presencial das faculdades e universidades, promover todas essas ações no espaço virtual é uma tarefa que requer investimento, dedicação e interesse em abranger o ensino à distância para todos e, consequentemente, torná-lo mais qualificado. Desse modo, é importante que o Estado modernize e humanize o ensino superior à distância.

Diante dos problemas apresentados, é necessário, portanto, que o Ministério da Educação disponibilize aparelhos tecnológicos e internet, por meio de um programa de inclusão social no ensino superior à distância, com vistas a aumentar a qualidade do aprendizado. Em adição, o mesmo programa de inclusão far-se-ia presente na oferta de bolsas de estudo para que os alunos do EaD dispusessem de mais tempo para os estudos. Para tanto, o MEC, por meio de um programa de inclusão de portadores de deficiências, deve promover a possibilidade de integração de todos no ensino não-presencial. Só assim o Brasil melhorará a qualidade de seu ensino à distância para todos os cidadãos.