Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 12/09/2021
Em 2020, a pandemia do novo coronavírus foi responsável pela paralisação do calendário acadêmico das principais instituições brasileiras, como, por exemplo, a Universidade Federal da Bahia. Nesse cenário, de incerteza socioeconômica, o modelo de Educação a Distância( EAD), através da internet, surgiu como alternativa e instrumento de enfrentamento à crise sanitária, se desdobrando, ao mesmo tempo, em questionamentos sobre a sua qualidade , como também, na adesão de inúmeros estudantes à metodologia.
Em primeiro plano, de acordo com o filósofo Michel Foucault, o ambiente de ensino e a linguagem possuem função simbólica, ou seja, por meio desses dois fatores o indivíduo desenvolve suas habilidades e internaliza regras fundamentais ao convívio social. Em consonância, o sociólogo Edgar Morin defende uma educação voltada para a complexidade, tendo em vista que os alunos devem aprender, nos seus cursos, habilidades e competências relevantes à sociedade. Sob essas análises, o EAD, metodologia distinta da tradicional, em sua abordagem e proposta, compromete significativamente a socialização do educando e, simultaneamente, transforma o aprendizado em uma prática solitária, dificultando, dessa maneira, os seus mecanismos de verificação.
No entanto, cabe ressaltar que o ensino remoto não é um fenômeno hodierno. Na verdade, segundo o professor Mário Sérgio Cortella, ele se originou com a cultura dos livros, iniciada nos séculos XV e XVI. Analogamente, o aumento da procura por faculdades remotas, em 30%, conforme dados do Ministério da Educação( MEC), além de refletirem o contexto pandêmico, alertam para o anseio popular pela democratização da educação- percebida pelo artigo 205 da Carta Magna como expressão genuína da cidadania- associado à flexibilidade do cronograma das aulas, redução no gasto com materiais didáticos, haja vista serem disponibilizados, nesse meio, livros digitais e apenas o acesso à internet, via celular ou computador, ser imprescindível para execução de tarefas.
Diante desse contexto, urge que o MEC, órgão promotor das diretrizes educativas, em parceria com instituições públicas e privadas, fomente o acesso aos cursos de graduação a distância e, por meio de normas previamente estabelecidas em edital, por exemplo, verifique periodicamente o desenvolvimento e aproveitamento dos discentes. Desse modo, espera-se ampliar o efeito positivo dessa nova metodologia e, conseguintemente, superar o panorama vivenciado em 2020.