Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 06/09/2021
No final da segunda metade do ano 2019, a pandemia da Covid-19 atingiu diversas parcelas da sociedade, iniciando-se na Eurásia. Paralelamente a isso, o ensino superior brasileiro, devido às medidas necessárias para conter o avanço do vírus, precisou, majoritariamente, ser fornecido a distância. Entretanto, tal situação contribuiu para que diversas barreiras fossem evidenciadas no tocante a esse meio educacional, de modo a revelar diversas problemáticas na qualidade do ‘‘EaD’’ no Brasil, o que deve ser combatido. Logo, deve-se averiguar dois dos principais pilares que concretizam esses empecilhos: a ineficiência do Estado em promover a inclusão e a precariedade nos processos avaliativos contemporâneos digitais.
A priori, é fulcral ilustrar os obstáculos vigentes no Brasil por meio do conceito de ‘’espaço público’’ da filósofa Hannah Arendt. Nesse sentido, é dever do governo fornecer um ambiente educacional que descarte a exclusão de qualquer parcela dos cidadãos. Contudo, o ensino superior a distância no país contraria tais fundamentos, tendo em vista que as minorias que encontram dificuldades durante o acesso digital, devido a insuficiência de recursos, são desprezadas. Em vista disso, a ausência de computadores ou celulares, bem como a deficiência de internet nas residências de estudantes carentes, contribui com a qualidade da educação insatisfatória nacional.
Outrossim, os meios avaliativos precários existentes corroboram com o destaque negativo do ensino a distância no Brasil. Nesse âmbito, tal situação indica a persistência das ‘‘instituições zumbis’’ na sociedade contemporânea, como abordado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, visto que, apesar da existência de organizações reguladoras, a educação superior digital permanece defasada. Em vista disso, a qualidade do ‘‘EaD’’ se caracteriza como atrofiada, na medida em que o Poder Público não busca maneiras efetivas de padronizar e potencializar essa espécie de ensino.
Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Educação edifique a rigidez dos processos avaliativos, além de assistir as minorias sem acesso a essa forma de ensino. Tais medidas poderão ser realizadas por meio do aumento da frequência de testes de qualidade em instituições de ensino superior e do subsídio financeiro às univerdades brasileiras, de modo que seja redirecionado aos estudantes carentes, através da distribuição de tablets e da construção de espaços públicos com conexão de internet. Desse modo, diferentemente como ocorreu no início da pandemia da Covid-19, o ‘‘EaD’’ superior brasileiro seria satisfatório e inclusivo.