Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 04/11/2021

Com o advento da Internet, o ensino foi facilitado e difundido para diferentes públicos, mesmo aqueles que não teriam acesso ao serviço caso fosse presencial. Entretanto, no campo educacional, a qualidade é sobreposta à facilidade, onde muitos cursos, infelizmente, apresentam um aproveitamento menor ao de cursos presenciais. Nesse contexto, as críticas aos cursos superiores a distância são a qualidade do profissional formado e a falta de convivência social nesse período de estudo.

Primeiramente, há a precarização de cursos oferecidos pela Internet pela falta de qualidade das aulas e/ou da instituição de ensino. Segundo pesquisa realizada pelo ENADE, 75% dos professores formados em cursos online apresentaram desempenho abaixo da média (50 pontos de 100) nas provas oferecidas pelo MEC, provando a debilidade dos cursos oferecidos. Esses cursos contam com a propaganda de serem fáceis e rápidos, porém, a qualidade não deveria ser menosprezada, já que é determinante para a formação de um bom profissional. Desse modo, grades curriculares, plataformas de ensino e conteúdo das aulas devem ser melhorados e melhor fiscalizados pelo MEC, de modo que o ensino online possa ser transmitido com todos os parâmetros de um curso presencial.

Ademais, aulas práticas e a convivência social são dificultadas em cursos EaD. A espécie humana é extremamente sociável; segundo Marx, a sociabilidade humana pode ser atrapalhada pela mentalidade capitalista, mais lucro por menos tempo. Nesse sentido, a educação tecnicista - aprender somente o essencial rapidamente para conseguir um emprego precário - é prejudicial para o desenvolvimento humano, já que a socialização com colegas de classe, professores e todas as experiências universitárias (aulas práticas, debates e reuniões) são perdidas em cursos online. Assim, a forma de planejar o curso EaD deve ser repensada, o online deve servir para repassar o conhecimento para uma quantidade maior de pessoas e não para formar profissionais com conhecimento escasso e não sociáveis.

Portanto, ensino superior a distância no Brasil deve ser repensado devido à qualidade educacional e social apresentada. Para isso, o Ministério da Educação deve aumentar a fiscalização em cursos superiores EaD através de estabelecer critérios necessários para uma boa formação profissional (aulas práticas, debates, estágios…) onde cada universidade que queira implementar o ensino online deve repensar a grade curricular. Deve realizar, também, exames periódicos para avaliar a qualidade dos cursos, além de promover eventos científicos e acadêmicos presenciais para um melhor entendimento de interação dos estudantes. Assim, o ensino superior a distância no Brasil melhorará e o ensino de qualidade poderá ser democratizado.