Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 24/10/2021

Após a Revolução Digital, no final do século XX, o desenvolvimento tecnológico beneficiou não somente o setor produtivo, como também modernizou aspectos socioeconômicos. Entretanto, a praticidade promovida por recursos digitais não é usufruida pela contemporaneidade brasileira, uma vez que a educação a distância, conhecida como EAD, ainda carece de melhorias que permitam o uso adequado por toda a população, sobretudo no ensino superior. Nesse contexto, cabe analisar os benefícios do EAD, além da influência da inoperância estatal na precarização desse.

Mormente, é fato que a evolução tecnológica promove maior praticidade no ensino. Sob esse prisma, conforme o biólogo Charles Darwin, os mais fortes não são os que detém de maior força física, mas os que se adaptam às mudanças do meio. Nesse viés, depreende-se que é fundamental a adesão aos novos recursos, incluindo o uso dos computadores para promover educação a distância. Dessa forma, o desenvolvimento digital permite que alunos acessem o conteúdo universitário independente de localização, o que fomenta maiores oportunidades àqueles que são impedidos de locomover-se às universidades, tais como deficientes físicos e moradores da zona rural. Assim, é indiscutível que a tecnologia amplia as possibilidades de ensino superior.

Outrossim, torna-se evidente que a ineficiência governamental impede a aprimoração do EAD. Isso posto, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, a estrutura social é um sistema hierarquizado de poder e de privilégio. Sob essa análise, infere-se que recursos materiais e sociais são usufruidos pela população de maneira desigual, incluindo o acesso à internet e aos computadores qualificados que permitem o ensino a distância. Dessa forma, a escassez de medidas governamentais que asseguram os mecanismos tecnológicos à toda população faz com que uma parcela segregada socialmente seja impedida de aderir ao EAD e torna-o restrito às classes elitizadas, o que configura uma desigualdade educacional. Dessarte, a negligência do governo inviabiliza a aprendizagem remota de maneira igualitária.

Portanto, é imprescindível aprimorar a adesão ao ensino superior  à distância no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, responsável por zelar pela aprendizagem, assegurar os recursos necessários à toda população, por meio de investimentos financeiros na ampliação do acesso à internet e na oferta de computadores aos interessados pelo EAD, a fim de permitir a educação modernizada e qualificada de modo equitativo. Enfim, os benefícios desenvolvidos na Revolução Digital serão intensamente usufruidos no aspecto educacional.